28 de jul. de 2015

14.

"We got it all, destined to fall, our love was tragical..." - On the Line
2014
- Tecnicamente, eu e Demi nos casamos duas vezes - falei depois de um logo tempo em silêncio. - O primeiro foi aqui mesmo, apenas eu, ela, Dallas e nossos amigos, Jess e Charlie. Nunca pensei que sentiria aquilo, vê-la dizer sim, foi... Foi a melhor sensação de todas. 
- E a segunda vez? - Louis perguntou e o olhei, lembrando que não estava sozinha ali.
- Foi em um cartório - disse baixando a cabeça - Foi dois anos depois do "primeiro", eu estava começando a trabalhar com meu pai e ele disse que tínhamos que fazer as coisas direito, então ele me levou com Demi até o cartório e nos fez assinar os papeis. Se eu soubesse que depois daquelas assinaturas tudo iria desmoronar...
- A culpa não é sua - Louis disse e senti sua mão em minhas costas, o encarei e dei um sorriso amargo.
- Eu queria que isso fosse verdade - disse suspirando e voltando a encarar aquele espaço silencioso.
- (SeuNome)... 
- Louis, sabe o que me faz odiar tanto isso? O trabalho com meu pai, minha vida com Demetria depois desse "casamento formal"? Porque eu sei que a culpa da minha vida ter se tornando um inferno foi por minha causa, eu sou a única culpada nisso, por isso que eu odeio tanto, por isso que eu me odeio tanto.
 Louis passou um braço em volta de minha cintura e encostei a cabeça em seu ombro.
- Sabe quando você foi até minha casa e contou tudo sobre sua vida com Demi? Você sabe o que eu perguntei a você depois?
- Se eu queria que meu relacionamento com Demi voltasse a ser como era antes... 
- Perguntei se você ainda quer isso - Louis fez uma pausa - Você quer saber o que eu acho?
- Por favor - supliquei, Louis respirou fundo.
- Você e Demi já se amaram bastante, pelo o pouco que eu sei da historia de vocês, mas agora... - Louis me encarou - Eu ainda acho que vocês se amam, se você não a amasse porque estaria assim? Completamente destruída? É, talvez seja pela culpa de ter feito tudo que vez com ela e porque você se sente culpada pelo acidente, mas além disso, você está assim porque você ainda a ama, ama mais do que a sua própria vida, e agora mais do que nunca, não quer perde-lá. E a pergunta que você deve se fazer agora não é se quer que seu relacionamento volte a ser como era antes, e sim se você está pronta para uma segunda chance com Demi, se está pronta para dedicar todo seu tempo para ela.
...
 Miley conversava no telefone e Dallas estava cochilando sentada no sofá, quando eu e Louis chegamos no hospital. Rapidamente Miley me olhou e logo depois olhou para Louis com cara de poucos amigos, porém logo ignorei. Faleu com a enfermeira e em alguns minutos estávamos seguindo-a até a sala de Demi. Senti aquele frio na barriga. Sempre sinto quando venho visitar Demi nessa sala, e antes mesmo de abrir a porta, já escuto os sons dos aparelhos fazendo meu coração saltar do peito. A enfermeira abriu a porta e Louis foi o primeiro a entrar. Demi parecia um pouco melhor agora, havia poucas cicatrizes em seu rosto e não havia tantos aparelhos ligados a ela agora.
- Ela é linda - Louis falou e eu sorri sem jeito. Ele tinha razão. Mesmo com poucas chances de sobreviver, Demi ainda estava linda.
- Eu quero que ela fique bem, Louis - disse e o encarei - Farei de tudo para que Demi sobreviva e depois...
- O que?
- Depois, irei fazer algo que deveria ter feito a muito tempo - disse voltando a olhar, me aproximei de seu rosto, ela parecia está dormindo, sua expressão era calma, igual a alguns anos atrás. - Irei deixa-la livre.
...
 Quando saímos do quarto, não só Miley e Dallas estavam na sala de espera, como os pais de Demi também. Pareceram surpresos quando viram Louis ao meu lado.
- Esses são os familiares dela? - Louis sussurrou enquanto sentávamos em um sofá.
- Sim, Dianna e Eddie - disse encarando-os - E as outras são Dallas, sua irmã mais velha e a outra é... Miley.
- E ela é o que da Demi? - Louis perguntou.
- Boa pergunta - disse e percebi que ela me encarava - Miley era... É melhor amiga da Demi.
- Vocês não parecem se darem bem.
- Ela me odeia - disse olhando-a.
- Porque? 
- Porque? Porque ela ama Demi - disse e virei-me para Louis que parecia confuso - Todos aqui nessa sala amam Demi, mas Miley... Miley ama a Demi.

3 de jul. de 2015

13.

"And how can you be too blind to see the girl who stands before you who wants you more than anything" - Shut Up and Love Me. 
2008/2009
 Ano novo. Quem não gosta de ano novo, um dia para está com a família, amigos, pessoas com quem você se importa, dia para você abusar do champanhe, fazer promessas que sabe que não irá cumprir. Eu havia saído de Albuquerque sem olhar para trás, eu tinha ido até lá para falar dos meus sentimentos para Demi e disse, claro que não ouvi a resposta que queria, mas havia feito o que tinha dito, então estava valendo. Eu e Demi não nos falamos desde que sai de Albuquerque, mandei uma mensagem para ela de feliz natal, mas foi para todos meus contatos e acho que ela ficou com raiva, porque não mandou uma resposta. Tentava não pensar nela, mas era impossível, pensei que quando finalmente falasse o que sentia, iria conseguir seguir em frente.
 Jess e Charlie iriam fazer uma festa de ano novo no apartamento, eles iriam se mudar e uma festa de ano novo seria perfeito. Não estava muito animada aquele ano, talvez pela briga com Demi, não estarmos nos falado e Jess sabia disso, ela havia convidado todas suas amigas para ver se eu me interessava por alguma e esquecesse Demi, mas ela sabia que isso não daria certo.
- Se você ficar com essa cara durante a festa, eu vou convidar a Maya – Jess disse enquanto enfeitávamos o apartamento com decorações de ano novo. 
- Não vou, prometo – disse olhando-a.
- Você sempre diz isso quando vamos sair e não dá uma hora de festa, você está sentada em algum lugar da festa, bebendo e pensando nela – Jess disse um pouco irritada – Sabe que eu acho, Demi é uma vadia.
- Jess – disse lançando um olhar nada agradável para ela.
- É verdade! Ela vem até aqui, sente ciúmes da Maya – ela disse irritada – Eu vi o jeito que ela olhou para você e Maya, nem tente negar, aí você vai até ela para se declarar e ela... Desculpa, mas eu a odeio.
- Só vamos esquecê-la, okay? – disse, Jess suspirou e assentiu. 
- Como se você fosse fazer isso - escutei Jess sussurrar.
***
 A festa tinha começado a algumas horas e lá estava eu, sentada no sofá vendo várias pessoas se agarrando, bebendo, rindo, conversando. Estava tão concentrada olhando para meu copo quase vazio que não vi alguém sentando-se ao meu lado.
- Você sabe que não é nenhuma super-heroína que vai fazer o copo encher de cerveja, não é? - olhei para Jess e dei um sorriso sem mostrar os dentes - Pensei que tivesse falado para mim que tentaria se divertir.
- Sinto muito - disse, Jess suspirou e levantou-se pegando em minha mão. - Para onde vamos?
- Eu a odeio, você sabe disso, odeio quem faz meus amigos sofrerem, principalmente minha melhor amiga - Jess dizia por cima do ombro enquanto passamos por vários corpos dançantes - Mas o que adianta eu odiá-la, se você a ama? Então...
- O que...? - estávamos subindo a escada e eu já sabia para onde ela estava me levando, terraço. - Você a chamou, não foi?
- O que eu poderia fazer? - Jess virou-se para mim e sorriu - Feliz Ano novo.
- Feliz ano novo - disse dando um beijo em sua bochecha, Jess sorriu e virou-se descendo as escadas. Respirei fundo e continuei subindo as escadas, até finalmente ficar encarando aquela porta de aço por alguns minutos.
- Vamos lá... - sussurrei para mim mesma e abri a porta.
 Tive que cruzar os braços por conta do frio que fazia, havia deixado meu casaco no apartamento.
- Você está aqui a muito tempo? - perguntei fazendo-a virar-se e me encarar. Demi não estava tão diferente desde aquela vez em Albuquerque, seus cabelos estavam mais curtos, porém castanhos como sempre.
- Não muito - ela sorriu e ficamos nos encarando - Porque você foi embora daquele jeito?
- Porque eu fui embora? Bem, não tinha nada para fazer em Albuquerque, quer dizer, eu tinha algo para fazer lá e fiz, só que a resposta não foi das melhores.
- Você simplesmente saiu, nem deixou eu falar - Demi tinha as sobrancelhas arqueadas e pude sentir certa raiva em seu tom de voz.
- Eu não deixei você falar? Demi, eu...
- Não, você não deixou - ela disse firme - Você simplesmente virou as costas e saiu, foi embora, me deixou sozinha.
- O que você queria? Eu não poderia simplesmente sentar no chão e esperar você finalmente falar alguma coisa.
- Você deveria ter esperado eu assimilar tudo aquilo - ela disse agora dando passos em minha direção - Não é todo dia que você ouve que sua melhor amiga está apaixonada por você. 
- Certo, não deveria ter saído daquele jeito, eu sinto muito - disse olhando-a - Mas espera, eu não disse que estava apaixonada por você.
- Não exatamente, você disse que não parava de pensar em mim, o que pelo meu pequeno conhecimento sobre esse assunto, é algo relacionado a 'estou apaixonada por você'.
- Sim, digamos que você esteja certa, que o fato de eu não parar de pensar em você, sobre o nosso beijo, digamos que eu esteja apaixonada por você, o que você diria?
- Você vai deixar eu responder ou vai sair correndo igual a última vez? - apenas alguns centímetros me afastava de Demi, ela mordia o lábio, mas conseguia ver um sorriso dali.
- Você vai responder logo ou vai querer esperar mais outra eternidade para responder? - rebati e ela sorriu.
- Bem, eu diria que estou apaixonada antes mesmo daquele beijo acontecer, eu estou apaixonada desde o dia que conheci uma garotinha que desenhava no chão e que implicou comigo porque eu fazia perguntas demais.
- Mas...
- Ah cala a boca - e logo senti aqueles lábios que nos últimos dias daria tudo para senti-los novamente nos meus.
- Espera - disse segurando nos ombros de Demi e afastando-a levemente - Certo, você está apaixonada por mim, e não é a pouco tempo, entendi, mas agora...
- Meu Deus, (SeuNome), a garota acabou de fazer uma declaração perfeita e você quer colocar mais obstáculos? - ouvi atrás de mim e lá estava Jess, com Charlie e Dallas ao seu lado.
- Vocês estavam aí o tempo todo - disse balançando a cabeça negativamente.
- Na verdade, vim chamar vocês já que faltam alguns minutos para meia noite, mas vocês conhecem essas duas, então vieram comigo - Charlie disse ganhando um tapa no braço de Jess - Que foi? É verdade!
- Acredito em você, Charlie - disse sorrindo, logo ele virou-se seguido por Jess, Dallas sorriu e piscou para mim, seguindo Jess.
- Vamos - Demi disse pegando em minha mão, porém a puxei juntando nossos corpos novamente.
- Não, quero que esse momento seja apenas entre nós duas - disse e a vi sorrir.
- E respondendo sua pergunta - Demi fez uma pausa - Minhas malas estão no carro de Jess por um motivo, apenas.
- Ótimo - disse e a beijei, logo escutamos a contagem - Feliz ano novo, Demi.
- Feliz ano novo, (SeuNome).

18 de jun. de 2015

12.

"Look at what you've done, you're losing me, here's what you've won..." - Solo. 
2014.
 Uma semana tinha se passado desde que Demi havia sido internada naquele hospital. Ela estava bem melhor agora, quando digo melhor, quero dizer que ela pode receber visitas agora e não está mais com todos aqueles ferimentos que eu havia visto. Demi continua respirando com ajuda de aparelhos e continua em coma, mas como o próprio medico disse, agora é no tempo dela. Fico me perguntado se ela ainda quer voltar, eu não iria querer, voltar a ter uma vida como aquela, mas preciso que ela volte, por sua família, por seus amigos e... Por mim também. 
 Havia voltado do hospital à algumas horas, apenas para almoçar e descansar um pouco, mesmo não querendo tive que voltar. Abri a porta do apartamento e me surpreendi em ver que havia alguém em casa, pelo o cheiro reconheci quem era, Dallas. Subi sem passar pela cozinha, tomei um banho bem demorado, tirando todo aquele cheiro de hospital, me vesti e logo desci. Dallas estava pondo a mesa e por incrível que pareça ela estava pondo para duas pessoas.
- Seus pais vem almoçar aqui? – perguntei indo até a geladeira e abrindo-a.
- Não – ela respondeu, olhei e vi que não havia nada para comer, virei-me fechando a porta e Dallas me encarava – Preparei um almoço, para nós duas.
- Nossa... – dei uma pausa realmente surpresa – Isso é uma...
- Surpresa, é eu sei – ela disse indo até o fogão.
- Porque está fazendo isso? 
- Não sei, me deu vontade – ela disse dando de ombros – Antes de tudo isso acontecer, o acidente, você mudar, éramos amigas. 
- Mas não somos mais – respondi, Dallas virou-se para mim e ficou um tempo olhando-me.
- Ainda me pergunto porque não somos mais – ela disse e foi até a mesa sentando-se, fiquei encarando-a por alguns minutos – Não vai se sentar? 
 Suspirei derrotada e sentei-me a mesa em sua frente, me servi assim como Dallas e logo começamos a comer, o clima até que estava equilibrado, Dallas não falava e eu a agradeci mentalmente.
- Porque? – ela perguntou de repente fazendo-me olha-la confusa – Porque paramos de ser amigas?
- Você sabe porque – disse e voltei a comer. 
- Não sei – ela voltou a falar – Fui ao seu “casamento” com Demi, passava alguns finais de semana vocês e depois você ficou estranha, Demi ficou estranha, até que...
- Podemos comer em paz? – perguntei.
- O seu relacionamento era tão lindo e de repente... 
- Crescemos? – perguntei irritada, ótimo, Dallas tirou meu apetite.
- É, acho que foi isso sim, você cresceu, começou a trabalhar com seu pai, desistiu de pintar, começou a ficar ausente da vida de Demi e até que finalmente...
- Perdi a fome – disse levantando-me rapidamente e dando as costas para Dallas.
- (SeuNome)! – a ouvi chamar, porém já subia as escadas em direção ao quarto, peguei a chaves do carro e meu casaco, antes mesmo de sair do quarto, Dallas estava parada na porta. 
- Vou sair – disse séria, Dallas cruzou os braços e ficou olhando-me – Irei sair, Dallas, pode sair da frente?
- Olha o que aconteceu com você – ela disse em um tom de decepção. – Você...
- Eu tive que fazer isso – disse olhando-a – Mas você não entenderia, agora me dá licença, Dallas, por favor.
 Dallas assentiu e saiu do quarto, respirei fundo e sai em seguida. Desci as escadas rapidamente, saindo dali o mais rápido possível, peguei o telefone e disquei seu número, antes mesmo de atender, fui logo falando.
- Você sabe onde me encontrar, não se atrase – e desliguei entrando no elevador. 
***

  Esperei a porta do banheiro se fechar, deslizei pela cama, procurando minhas roupas. 
- Você já vai? – Lilian perguntou e virei-me vendo-a fechando a porta do banheiro.
- Tenho que ir ao hospital – disse vestindo a blusa, Lilian assentiu e andou até a cama.
- Amei a visita – ela falou sorrindo, dei um sorriso sem mostrar os dentes e peguei o casaco – Pensei que com Demi ausente, você...
- Precisava relaxar – disse cortando-a, Lilian suspirou e assentiu.
- Claro – sussurrou – Espero que esteja relaxada.
- Sim, estou – disse e a encarei – Obrigada.
- Não precisa agradecer, chefa – ela disse e inclinou-se abrindo a gaveta do pequeno móvel ao lado da cama, tirando de lá um cigarro. Assenti e andei até a porta e antes de sair, a ouvi me chamar.
- Mande um olá para Demetria – ela disse dando uma tragada em seguida, apenas abri a porta e fechei.
  Demetria em um quarto de hospital e você transando com sua amante, bela esposa você se tornou (SeuNome). Dirigia pela as ruas de New York como se estivesse fugindo da polícia, não sabia o que estava acontecendo em minha cabeça. Eu havia procurado Lilian, enquanto Demi estava em coma, não sabia exatamente o que estava passando por minha cabeça. Queria sair dali, queria ver a única pessoa que ainda tinha esperança em mim. Passei a mão pela testa e percebi que estava suando, então o carro começou a esquentar. Foi então que percebi que já estava na rua em que morava, estacionei o carro em frente ao apartamento e peguei o telefone, discando seu número rapidamente.
- Alô? - ouvi uma voz no fundo assim que atendeu.
- Louis? Sou eu, (SeuNome) - comecei - Você está ocupado?
- Não, algum problema?
- Preciso que... Preciso que venha até aqui - disse - Preciso de você.
- Onde você está?
- Em frente ao seu apartamento, por favor Louis, preciso... - disse, mas não consegui terminar, o ar não conseguia sair e logo depois não consegui escutar mais nada. 
 Ouvi alguém bater no vidro do carro e percebi que estava com a testa encostada no volante e o celular estava no banco carona,  olhei para o lado e vi Louis com uma expressão preocupada, destravei o carro e logo Louis entrou no mesmo.
- Você está pálida, o que aconteceu? Demi... - ele começou, porém apenas o abracei e deixei as lágrimas saírem. Louis passava as mãos em meus cabelos enquanto eu ensopava sua blusa de lágrimas, demorei um pouco até me recompor, quando finamente consegui separei o abraço e olhei para Louis.
- Está melhor agora? – ele perguntou e eu apenas neguei com a cabeça – Certo, o que houve?
- Você já foi a uma galeria de arte? – perguntei e o vi franzir o cenho confuso.
- Aqui não, mas... – ele começou, assenti e liguei o carro – Para onde estamos indo?
- Eu fui vê-la – disse encarando a estrada.
- Quem?
- Lilian, fui ver Lilian – disse e dei uma rápida olhada para ele que tinha as sobrancelhas arqueadas – Quando cheguei em casa Dallas estava fazendo um jantar para nós duas, estava tudo bem até ela começar a falar, então eu...
- O que ela falou?
- Eu sei que mudei – disse sentindo novamente o nó na garganta – Mas eu tive que fazer, foi um acordo e estou cumprindo até hoje.
- (SeuNome), você está...
- Você acha que eu queria ter feito isso?! Você acha que eu queria passar o dia todo dentro daquele escritório?! Eu não queria, Louis! – gritei sentindo as lágrimas desceram pela minha bochecha. – Mas eu tinha que cumprir a merda de um acordo e estou fazendo isso até hoje! Porque não posso mais voltar a traz e não aceitar o acordo.
- Calma (SeuNome) – senti a mão de Louis apertar meu ombro, dei uma rápida olhada para ele e reparei que Louis olhava para o velocímetro, fiz o mesmo e vi que estava correndo.
- Você acha certo descumprir um acordo? – disse um pouco mais calma.
- Depende, que acordo é esse que você tanto fala?
- É sobre... – parei de falar vendo a fachada da galeria em minha frente, de repente senti aquele frio na barriga, uma nostalgia de está ali novamente. 
- Porque me trouxe até aqui? – Louis perguntou olhando para o prédio a nossa frente.
- Vem – disse saindo do carro, logo ouvi a porta do carro sendo fechada e Louis ficar ao meu lado.
- Não está fechada?
- Para mim, não – disse e abri a bolsa, pegando um molho de chaves. Chaves do escritório, de casa, do carro, de várias outras coisas incluindo da
galeria.
- Porque você tem uma chave?
- Porque aqui é meu lugar favorito no mundo – disse abrindo a porta, dei espaço para Louis fazer o mesmo, o lugar estava bastante escuro e silencioso, respirei fundo sentindo aquele cheiro. Conseguia sentir o cheiro da tinta sob a tela, a tinta já seca, mas sem perder seu cheiro. Peguei na mão de Louis puxando até o local das luzes.
- Aqui não tem segurança? – Louis perguntou um pouco receoso. 
- Tem, mas eles já me conhecem – disse e acendi a luz. O corredor com poucas luzes o iluminando, olhei para Louis sorridente.
- Porque me trouxe aqui? – Louis perguntou com um sorriso de lado.
- Porque foi aqui que eu casei.