12 de jun de 2015

11.

"Strong enough to leave you but weak enough to need you..." - In Case.
2008.
 Meus avôs iriam chegar à tarde, então tive a manha toda para me preparar psicologicamente. Não que eu não gostasse deles, eu amava meus avôs, mas vê-los seria como voltar o dia do enterro da mamãe. E com certeza sabia que teria uma hora que eles começariam falar dela, e assim como eles, eu choraria. Não na frente de todos eles, mas no quarto, sairia sorrateiramente com a desculpa que iria até o banheiro, porém isso não era o pior. O pior era que eu não tinha mais Demi ao meu lado para me consolar, as poucas vezes que eles nos visitavam, eu chamava Demi, eles a adoravam, a tratavam como uma neta. Dessa vez eu teria que ser forte, com ou sem Demi. Papai iria ficar o dia em casa, o que é uma coisa muito rara, mas sabia que seria apenas hoje, ele gostava de mostrar aos meus avôs que não se entregou ao trabalho depois que a esposa morreu. 
 Na casa não havia telas ou tintas, todas que eu tinha levei para New York e eu estava precisando me distrair e queria pintar algo para meus avôs, eles não deram opinião quando disse que iria me mudar para NY e ser pintora, vovó foi a única que ficou radiante. 
 "Eu sabia que havia outra artista na família além de mim" ela disse alguns meses antes de me mudar, vovó não era pintora, ela era cantora, não profissional, ela tentou ser, mas em sua época era uma afronta contra seus pais, mas lembro-me perfeitamente quando mamãe tocava piano e ela começava a cantar. Ficava me perguntando por que vovó não seguiu essa carreira, sua voz era incrível. 
 Já que havia brigado com Demi, fui até a única pessoa que conhecia nessa cidade, Dallas. 
- Dói saber que sou sua ultima opção – ela disse adentrando no carro.
- Sem drama – respondi sorrindo – Então, você conhece algum lugar para eu comprar telas e tintas? 
- Porque eu deveria saber umas coisas dessas? – ela perguntou. – Mas sei um ótimo lugar para nos distrair.
- Você sabe que eu não bebo pela manha – disse ligando o carro. 
- Cala a boca, não sou desse tipo – ela disse dando um tapa em meu braço – Estou dizendo que deveríamos ir até um bar e conversar, afinal só conversamos quando você está brigada com Demi.
- Não exagera – disse – E como você sabe que eu e ela brigamos?
- Simples – ela olhou-me – Sei o que aconteceu entre vocês.
- Sabe? – perguntei dando uma rápida olhada para ela.
- Sei sim – Dallas falou assentindo – Foi difícil fazer-la confessar, mas depois que você saiu daqui, ela ficou suspirando pelo os cantos, então juntei as peças e a fiz me contar.
- Isso quer dizer que você sabe sobre...
- Tudo, (SeuNome), meu Deus como você é lerda – ela falou dando outra tapa em mim, porém na cabeça – Sobre o beijo no dia do aniversario dela, sobre o que rolou lá em NY, o ciúmes dela e, alias me agradeça.
- Pelo o que?
- Quem você acha que a convenceu de ir até New York? A gênio aqui – ela respondeu apontando para si mesma.
 Estacionei o carro em frente o restaurante que eu e Demi costumávamos vim para estudar. 
- Sério? – perguntei com uma sobrancelha arqueada.
- Você que quis vim aqui – Dallas falou dando de ombros, entramos e escolhemos uma mesa afastada de todos.
- Você veio até mim por um motivo – ela falou assim que a garçonete saiu depois de ter anotado nossos pedidos.
- Só queria conversar – disse dando um suspiro.
- Comece – ela disse e falei o que tinha acontecido ontem, começando pelo o beijo que Alex havia lhe dado até o que ela disse em casa.
- E sem nenhuma cerimônia disse que estava com ele – disse por fim, Dallas ficou encarando-me por alguns minutos – Você não tem nada para me dizer?
- Nossos pedidos – ela disse e olhei para o lado, vendo a garçonete seguindo em nossa direção, colocou os dois cappuccinos e duas porções de rosquinhas em cima da mesa.
- Então Dallas? – perguntei, ela bebeu seu café e olhou-me.
- Você não acreditou, né? 
- Eles se beijaram, se não fosse por isso eu poderia pensar que ela estava mentindo – disse.
- Demi não namora o Alex, até porque o papai não o perdoou pelo o que ele fez a Demi – Dallas disse com a boca cheia de rosquinha – Ela está tentando fazer ciúmes.
- Mas...
- Talvez eles estejam ficando, mas não passa disso – Dallas me interrompeu – Mas sabe o que você deve fazer? 
- Me diz, por favor – supliquei, Dallas pegou sua bolsa, abrindo-a e tirando de lá seu telefone, discou alguns números e me entregou. – O que é isso?
- Se ela está fazendo ciúmes a você, é justo que você faça o mesmo – ela disse, olhei para a tela de seu celular e um sorriso instantâneo nasceu em meus lábios.
- Você é um gênio, Dallas Lovato.
***

 Nem sabia por que tinha aceitado o plano de Dallas, mas era um plano muito bom, fazer ciúmes a Demi e principalmente com a pessoa que mais odiava, Natalie.
 Meus avós havia chegado a algumas horas e tinha sido incrível vê-los. Vovó adorou ouvir sobre minha vida lá em NY, até meu pai ouviu com atenção. À noite eu iria colocar o plano de Dallas em prática, não queria deixar meus avós sozinhos, mas garanti que iria passar o domingo todo com eles.
 Dallas e Demi me esperavam em frente a casa, Dallas passava batom, enquanto Demi estava de braços cruzados e batendo o pé impaciente. 
- Pensei que tinha desistido – Dallas falou entrando e sentando no banco de trás, Demi abriu do banco carona e entrou rapidamente.
- Olá (SeuNome) – disse encarando-me.
- Demetria – disse, a vi colocar o cinto e logo liguei o carro. – Dallas, chamei mais alguém para ir com a gente, você não se importa, né?
- Claro que não – Dallas falou e me segurei para não rir, éramos uma bela dupla de mentirosas – Você se importa, Demi?
- Tanto faz – ela deu de ombros, olhei para Dallas pelo o retrovisor lançando um olhar de "isso vai dá merda". O caminho foi bastante tranqüilo, a única que estava quieta era Demi, não falava nada e muito menos parecia querer está ali. Estacionei o carro em frente à casa de Natalie. Demi franziu o cenho e virou-se encarando-me.
- Essa casa é da... – Demi foi interrompida por Natalie que abria a porta do carona, olhou para Demi com um olhar de poucos amigos e aposto que Demi fez o mesmo, finalmente Demi se rendeu e saiu, indo para o banco de trás com Dallas.
- Onde vamos? – Natalie perguntou animadamente como se tivesse apenas nós duas no carro.
- Estou aberta a idéias – disse e a vi sorrir.
- Tem uma boate muito boa aqui perto – Natalie disse – Mas é para maiores de idade.
- Isso não é problema - disse e a vi virar-se encarando Demi.
- Você é maior de idade, Demetria? – Natalie perguntou, olhei para Demi pelo o retrovisor, ela abriu a boca para responder – rudemente, aposto – mas voltou a fechá-la.
- Sou sim – ela disse por fim dando um sorriso falso – Você é Natasha?
- É Natalie – disse e virou-se para frente, pude ver Demi revirar os olhos pelo retrovisor. 
- Então vamos para a tal boate – disse tentando amenizar o clima, o que não adiantou, ouvia Demi suspirar, cochichar com Dallas que não queria está ali e ainda tinha Natalie, sabia que estava usando-a e isso me fazia sentir um lixo, eu tinha uma queda por ela no colegial, mas depois desses sentimentos por Demi, eu não tinha olhos para mais ninguém, clichê não? 
Estacionei o carro e notei que a boate era bastante movimentada, Natalie saiu na frente e logo Dallas a seguiu.
- Pensei que não gostasse de lugares movimentados – ouvi atrás de mim.
- Não gosto – disse virando-me, Demi tinha os braços cruzados e encarava-me. – Mas sempre tem uma primeira vez.
- E essa primeira vez se chama pegar a Natalie? – Demi disse sarcástica, fiquei encarando-a por alguns minutos, sei que ela estava tentando desvendar minha expressão, mas era fácil desvendar já que eu estava sorrindo por dentro, vê-la com ciúmes era a melhor coisa que podia me acontecer, isso significava que ela tinha sentimentos por mim e não era só sentimentos de amizade.
- Descobriu meu segredo – respondi e virei-me, Natalie comprava nossas entradas – Tudo bem aí?
- Hoje a noite promete – ela disse mordendo o lábio.
 Com certeza aquele não era meu tipo de ambiente, muitas pessoas, música alta, cochichos, foi então que senti a mão de Natalie entrelaçar-se na minha puxando-me para o bar.
- Vodca – ela pediu e olhou-me – O que vai querer?
- O mesmo – respondi, Natalie deu um sorriso e logo vi Dallas e Demi se aproximarem.
- Já avistei três gatinhos – Dallas disse, olhei para Demi que prestava atenção na pista de dança, sabia que ela não queria me encarar. Dallas pediu seu drink e foi para pista de dança, Demi estava segurando um copo e sua expressão não era nada boa. Talvez estivesse brincando com a sorte, poderia muito bem chamá-la para conversar e dizer o que vim dizer, parecia fácil falar, mas não era. Bebi meu drink e aproximei-me de Demi, mas antes que eu abrisse a boca para falar algo, vi uma Natalie suada e ofegante ficar em minha frente.
- Vamos dançar – disse e puxou-me para a pista de dança, olhei por cima do ombro e vi Demi nos  fuzilar com o olhar.
 Natalie dançava bem perto de mim, passando a mão pelo corpo, mordendo o lábio, se mexendo de acordo com a batida da música. 
- Você não está se soltando – ela disse em meu ouvido, claro que não estava me soltando, primeiro por que ali não era o meu tipo de local e segundo porque não sabia dançar, dei um sorriso e sussurrei no ouvido de Natalie.
- Não sei dançar – ela sorriu e se aproximou-se mais de mim, se é que era possível, botou as mãos em minha cintura e encarou-me.
- Apenas se mexa de acordo com a música – então comecei numa tentativa frustrada de tentar dançar, Natalie apenas observava e ria.
- É, você não sabe dançar – ela disse alto por conta da música – Mas sei uma coisa que você sabe.
 Arqueei as sobrancelhas confusa e apenas a vi passar os braços por meu pescoço e me beijar. Rapidamente retribui, passando meus braços por sua cintura, separamos o beijo e meu olhar foi diretamente para Demi no bar, porém ela não estava mais lá, olhei para o lado a procura de Dallas e vi que estava beijando-se com um cara. 
- Por quem está procurando? – ouvi Natalie perguntar, a encarei e vi que estava séria.
- Por ninguém – disse.
- Você e a Demi tem algo?
- Não, só somos amigas, pelo menos eu acho que continuamos amigas – disse, ela assentiu e logo selou nossos lábios. Ficamos um tempo se beijando, cada beijo o clima ficava mais intenso, Natalie arranhava meu pescoço com suas unhas e eu apertava sua cintura, descia meus beijos para seu pescoço e a ouvia gemer.
- Vamos sair daqui – ela disse olhando-me, assenti e logo a vi puxando-me para fora da boate, dei uma ultima olhada por cima do ombro para ver Demi e acabei me arrependendo do que vi, Demi conversava com alguns garotos no bar, senti um ódio crescer dentro de mim e virei-me seguindo Natalie. 
 Enquanto procurava as chaves do carro, Natalie beijava meu pescoço, quanto finalmente achei não tive nem tempo de abrir a porta do motorista, Natalie pegou as chaves e abriu o banco de trás, a encarei confusa. Ela tinha uma expressão diferente no rosto, mordeu o lábio inferior e empurrou-me, senti minhas costas baterem no banco e logo Natalie já estava em cima de mim, beijando meu pescoço, sei que o clima estava esquentando e Natalie já tirava minha blusa, mas eu só conseguia pensar em Demi e aqueles outros caras. Natalie já tentava abrir os botões de minha calça, peguei em seus ombros e afastei.
- Para – disse e a vi me encarar confusa.
- Como? – ela perguntou, mas logo voltou a beijar meu pescoço.
- Não posso fazer isso – disse e novamente Natalie parou o que estava fazendo para encarar-me.
- O que?
- Eu gosto de você e é por isso mesmo que não posso fazer isso – disse e levantei-me, sentando no banco.
- Não estou...
- Estou usando você – disse – Te trouxe para fazer ciúmes a Demi, não sabia que iria ficar assim, tão intenso e... Eu sinto muito.
 Natalie me encarava com um expressão que eu não sabia dizer, ela botou uma mecha de seu cabelo atrás da orelha e pegou sua blusa que estava no banco assim como a minha.
- Você quer que eu te deixe em casa? 
- Eu pego um táxi – ela disse rapidamente.
- Natalie, eu sinto muito mesmo.
- Eu sei que sente – ela disse forçando um sorriso e pegando em meu rosto - No dia do aniversário da Demi, vi o jeito que ela olhou para mim quando me viu com você – ela deu um sorriso – Ela gosta de você e acho que você deve falar com ela o mais rápido possível.
- Acha mesmo?
- Demi é sortuda por ter uma pessoa como você gostando dela – E assim saiu, fiquei um tempo pensando no que tinha acabado de acontecer, Natalie tinha dado força para eu falar com Demi. Então me dei conta que realmente estava apaixonada por Demi, não consegui ficar realmente com outra pessoa e quando quase ia ficando, eu pensava nela. Vesti a blusa de volta, ajeitei o cabelo que estava um pouco bagunçado e voltei para boate. Fui em direção ao bar e lá estava Demi ainda conversando com os caras.
- Podemos conversar? – sussurrei em seu ouvido, Demi virou-se e sua cara se fechou – Vim em paz.
- Estou ocupada.
- É sério, Demi – disse e a vi arquear as sobrancelhas, sabia o que ela queria – Por favor.
- Cinco minutos – ela disse, assenti e segui em direção ao estacionamento, queria um lugar sem barulho. Demi estava encostada no carro com cara de poucos amigos, respirei fundo e cruzei os braços.
- Eu... – comecei, mas logo fui interrompida.
- O que aconteceu com a Natalie? Foi uma rapidinha? Por que do jeito que vocês...
- Natalie foi embora – disse cortando-a.
- Foi é? Não foi bom para...
- Será que você ´pode parar de agir assim?! – disse sem paciência – Quero ter uma conversa séria com você.
- Pois eu não quero – Demi falou – Já não basta vim com a Natalie agora quer...
- O que você tem contra a Natalie?
- Não tenho nada contra ela – Demi disse cruzando os braços. – Natalie é...
- O assunto aqui não é a Natalie – disse interrompendo-a – O assunto aqui é eu e você, Demi.
- Acho que não é hora e nem lugar para...
- Pare de ficar na defensiva – disse interrompendo-a – Quer saber? Acho que é melhor esquecer tudo isso.
- Do que está falando? – Demi perguntou confusa.
- Daquele maldito beijo! – disse, na verdade gritei, Demi arregalou os olhos – Merda, só consigo pensar nele, só consigo pensar em você Demi! E isso tá me enlouquecendo, nem pintar eu consigo e você sabe como eu fico quando não consigo pintar? Depois que você desapareceu do apartamento e não me dava um sinal de vida, decidi vim até aqui e falar tudo, falar tudo que estou sentindo e olha o que aconteceu. Vi você com o cara que eu mais odeio e acabei de dispensar uma garota incrível, e isso não é o pior, o pior é que merda Demi, eu pensei que falando tudo isso as coisas iriam, sei lá, ficar tudo bem de novo, mas vejo que não ficou e nem vai ficar.
 Parei e vi que Demi me olhava sem esboçar nenhuma reação, nem piscar ela fazia isso, respirei fundo e passei as mãos pelo os cabelos.
- Não vai falar nada? – perguntei, Demi ainda me encarava com as sobrancelhas adequadas com uma expressão de surpresa, assenti e abri a porta do carro – Entendi, tudo bem, sabia que isso iria acontecer... Vou ter que ir agora, fale para Dallas que eu tive que ir, adeus Demi.
- (SeuNome) – virei-me e Demi me encarava ainda confusa. – Eu não sei o que...
- Tudo bem, Demi – disse e forcei um sorriso, respirei fundo e abri a porta do carro. Antes de sair dali, olhei para onde Demi estava porém ela não estava mais ali. Respirei fundo e liguei o carro saindo o mais de presa possível.

28 de mai de 2015

10.

"I can't set my hopes too high, 'cause every 'hello' ends with a 'goodbye.'" - Catch Me.
2008.
 Acordei naquela manhã sentindo algo que nunca tinha sentido. Algo no peito, uma felicidade, que na verdade não durou tanto. Assim que virei-me, Demi não estava ao meu lado, claro que fiquei um pouco desapontada, esperava vê-la ali, talvez sorrindo ou até mesmo dormindo. Levantei-me, fiz minha higiene matinal e fui para cozinha, talvez ela estivesse tomando café.
- Bom dia – disse assim que vi Jess e Charlie sentados à mesa. – Onde está Demi? 
- Não sei, ela dormiu com você, porque eu saberia? – Jess perguntou tomando um pouco de café. E foi aí que minha felicidade, aquele “algo” no peito desapareceu. Demi tinha fugido, não tinha falado comigo ou deixado algo escrito, nada, só saiu antes que todo mundo acordasse, pra ninguém vê-la. Acho que você pode imaginar o que eu fiz ou como fiquei. Eu estava realmente sentindo algo a mais por Demi, depois daquela festa – principalmente depois daquela festa – eu não a vi mais só como minha melhor amiga, eu sentia algo que eu não sabia explicar. Liguei para ela, mandei e-mails, até mesmo cartas e nada, ela não respondia nada. Eu fiquei bastante deprimida, não saia mais do quarto e muito menos pintava, o que era uma coisa rara, afinal quando estava deprimida eu costumava a pintar, mas nem isso eu tinha vontade. E aquilo estava me deixando louca, estava me deixando de um jeito que eu não me reconhecia mais. Jess e Charlie chamaram até mesmo Maya, e nem ela conseguiu me tirar daquele quarto. 
- Já chega! – já tinha passado uma semana naquele quarto, sem ver o sol ou pessoas – Está na hora de você fazer algo, (SeuNome).
- Eu não quero fazer algo – disse cobrindo-me com o cobertor, porém logo o senti sendo arrancada de mim.
- Você precisa parar com isso! – Jess disse impaciente – Já faz uma semana que você não sai da merda desse quarto, mal come e me diz a ultima vez que você tomou banho?!
- Jessica... – comecei, mas não tinha nada para argumentar, Jess estava falando a verdade.
- Você não deve ficar assim por ela, (SeuNome) – ela disse cruzando os braços – Demi deve está no braço daquele garoto... Como é nome dele?
- Alex – respondi e logo ela assentiu.
- Isso, Alex – Jess disse – Demi deve está com ele, enquanto você está nesse quarto que cheira a repolho estragado sem vontade de fazer nada, nem mesmo pintar.
- O que eu posso fazer? – disse suspirando – Ela vem até aqui, sente ciúmes da Maya e até confessa, aí depois simplesmente desaparece? Não atende minhas ligações, nem e-mails, nada!
- Você tem que resolver isso de uma vez por todas! 
- Como? 
- Fale com ela! Se for preciso, vá até Albuquerque e fale tudo isso que acabou de dizer para mim! – Jess disse jogando as mãos para cima, suspirei e desviei o olhar. Jess estava certa, Demetria não poderia simplesmente aparecer aqui, mexer com minha cabeça e depois ir embora sem dá satisfações. Levantei-me rapidamente e segui em direção ao banheiro.
 Como da ultima vez, eu fui de carro até Albuquerque, só que dessa vez eu estava mais ansiosa do que o normal. Iria dizer tudo a Demi, tudo mesmo. O que senti com o beijo, como eu não parava de pensar nele um só minuto e que amei vê-la com ciúmes. Não passei em casa como da ultima vez, assim que cheguei a Albuquerque fui logo para a faculdade de Demi, fiquei esperando-a por horas e horas, até finalmente ver os alunos saindo. Foi quando eu a vi, meu coração quase pulou para fora do peito, por um segundo pensei em sair daquele carro correndo. Mas algo aconteceu. Alguém agarrou Demi por trás, virando-a e selando seus lábios. Não sei bem o que senti naquela hora, talvez tristeza e ao mesmo tempo raiva. Reconheci aquele franja loira caindo em sua testa, aquele ar de superior, Alex. A única coisa que fiz foi ligar o carro e sair dali. Eu sempre fui cuidadosa quando o assunto era transito, não havia esquecido a maneira que minha mãe havia morrido, porém naquele dia eu nem estava pensando nisso. Só queria ir para bem longe de Demi e aquele idiota do Alex. Ela foi embora sem deixar explicações para ficar com ele, com certeza teria ido a New York só para me contar e não teve coragem. Parei o carro de qualquer maneira em frente ao supermercado e desci. Peguei uma caixa de cerveja e vários salgadinhos, não iria para casa porque ela poderia ir lá e a ultima que queria era falar com ela. Havia pegado tudo que queria e segui em direção ao caixa, paguei e segui em direção ao estacionamento.
- (SeuNome)? – ouvi atrás de mim e reconheci aquela voz, respirei fundo e continuei andando em direção ao carro – (SeuNome)! 
 Joguei as sacolas no banco carona e adentrei no carro, olhei para o lado e a vi encarando o carro, Demi estava paralisada e seu olhar era uma mistura de confusão e surpresa, balancei a cabeça negativamente e liguei o carro seguindo para o monte que eu havia levado alguns meses antes. 
***

 Estacionei o carro em frente de casa e sai andando até os fundos. Iria embora na manha seguinte, não suportava mais Albuquerque e jurei que nunca mais pisaria ali. Olhei e vi que não havia ninguém na cozinha talvez Dolores estivesse de folga hoje, sabia que papai não estava em casa, por isso iria dormir e de manha cedo iria partir para NY. Segui para meu quarto e joguei-me na cama, olhei para o relógio no pulso e vi que eram seis horas. Eu poderia dirigir até NY, mas estava muito cansada e havia bebido algumas cervejas, dirigir do monte até aqui não era assim tão perigoso, havia pouco movimento tanto de carros como de pessoas. 
 Meus olhos estavam pensando quando ouvi a campainha tocar, pedi para Dolores surgir e atender, mas ela não estava em casa, então decidi que a pessoa tocasse até se ligar que não havia ninguém em casa, mas meu carro estava estacionado em frente de casa. Suspirei e desci as escadas me arrastando, respirei fundo e abri a porta. Eu deveria ter imaginado, ela não sossegaria até falar comigo, perguntar por que eu não falei com ela quando nos encontramos no supermercado.
- Olá – disse dando um sorriso falso.
- Posso entrar? – ela perguntou, dei de ombros e andei em direção a sala – Porque não está em New York?
- Que bela maneira de me receber – disse jogando-me no sofá, Demi foi para frente da TV e ficou um tempo encarando-me – O que foi?
- Porque não falou comigo lá no supermercado? E porque você está aqui e não em NY? – ela começou.
- Não vi você no supermercado e estou aqui porque tenho algumas coisas para resolver – respondi, Demi revirou os olhos e bufou.
- Você está mentindo – esse é o problema das melhores amigas, elas nos conhece até melhor que nos mesmos. 
- É sério, não vi você lá – disse o mais convincente possível, sabia mentir muito bem, mas como disse Demi era minha melhor amiga e me conhecia como ninguém. 
- E o que você está fazendo aqui?
- Já disse, vim resolver alguns problemas – disse – Você deveria saber, mas esqueci que não atendeu minhas ligações e muito menos respondeu meus e-mails. 
- Não venha mudar de assunto – Demi disse defensiva. – Estamos falando de você...
- Não, você está falando de mim – respondi irritada – Se não se incomoda, tenho que dormir porque amanha vou viajar cedo.
- Você está me expulsando? – Demi perguntou sem acreditar, levantei-me e fui até a porta, abrindo-a.
- Entenda como quiser, Demi – disse revirando os olhos, Demi encarou-me por alguns minutos, assentiu e seguiu até a saída, porém antes de sair olhou-me.
- Eu sei que você estava na porta da faculdade – ela disse – E sim, eu e Alex estamos juntos. 
 Isso foi como uma facada, uma não, varias. Demi não poderia ser mais cruel, senti um nó na garganta, respirei fundo e segui até o quarto. Não aguentaria ficar ali nem mais um dia, tinha que ir embora o mais rápido possível, Albuquerque não era minha casa mais, não significava nada para mim, peguei minha bolsa e sai do quarto.
- Vai para algum lugar, querida filha? – o dia não poderia ficar melhor, virei-me e o vi encarando-me.
- Pai – disse acenando com a cabeça, então ele estava ali o tempo todo? Será que havia me visto entrando em casa? Será que ouviu a conversa com Demi? – O senhor estava aí o tempo todo?
- Não respondeu minha pergunta – ele disse sério.
- Só vim... Havia algumas coisas minhas que eu não tinha levado para NY e... – comecei.
- Eu deveria está gritando com você agora por causa daquela festa – ele disse dando alguns passos em minha direção – Aqueles adolescentes inconseqüentes bêbados na minha sala, não foi um dia agradável para mim e com certeza para eles.
- Eu sinto muito – disse – Não irá se repetir.
- E não irá mesmo – ele disse assentindo.
- Vou embora agora e não volto até, sei lá, para sempre – disse e o vi sorrir.
- Você pode fazer isso, mas não agora – ele falou – Seus avôs vem para cá, visitar você e, bem, você não vê seus avôs há anos, certo?
- E quando eles vem?
- Sexta – papai respondeu – E voltam domingo.
- Isso quer dizer que eu...
- Sim, vai ter que passar o final de semana aqui. 

22 de mai de 2015

9.

"Don't you remember I'm your baby girl? How could you push me out of your world..." - For The Love of a Daughter.
2014.
 Lílian havia me ligado depois que sai do apartamento de Louis. Meu pai queria me ver, com certeza queria saber por que estava faltado todos esses dias o trabalho. A porta do elevador abriu e rapidamente sai, enquanto andava até a sala do velho, pude sentir os olhares em mim. 
- Seu pai esta lhe esperando – ouvi atrás de mim, virei-me e a vi. Seus cabelos loiros sobre os ombros, uma blusa de botões vermelha e uma saia acima dos joelhos, Lílian me olhava por cima dos óculos e tive a impressão de vê-la morder o lábio. – Vou anunciá-la.
- Não precisa – virei-me e abri a porta. Ele estava falando com alguém ao telefone.
- Estou aqui – disse, ele olhou-me por alguns minutos, girou a cadeira e continuou a falar. Revirei os olhos e cruzei os braços, finalmente ele se despediu e virou-se a cadeira, encarando-me.
- (SeuNome) – ele disse.
- Fala logo o que você quer, pai – disse impaciente, ele deu um sorrisinho sínico.
- Quero saber por que você não esta vindo para empresa – ele disse e eu não pude deixar de sorrir, ele só poderia esta brincando, era alguma pegadinha. – Qual o motivo do sorriso?
- Minha esposa esta em coma em um hospital com poucas chances de sobrevivência – disse sentindo a raiva em minha voz – E você esta preocupado porque eu não estou indo trabalhar?! Você por acaso tem algum problema mental ou algo do tipo?!
- Isso é modo de falar com seu pai?! – ele disse agora parecendo irritado, fechei os olhos e contei de um até dez para não pular em cima dele – Eu estou sabendo e sinto muito pelo o ocorrido.
- Vou fingir que acredito, pai – disse irônica – Tenho que ir agora, porque tenho que ficar...
- E quando você voltará? – ele perguntou sério.
- Não se preocupe – disse – Não irei quebrar o acordo, não quebrei durante quatro anos e não será agora que irei fazer isso.
 Nem me despedi, nunca gostei daquele local, se não fosse pelo acordo eu nunca mais pisaria ali.
- (SeuNome)! – ouvi e reconheci a voz, virei-me e a vi vindo em minha direção.
- Oi Lílian – disse apertando o botão do elevador.
- Queria saber se está bem – ela disse ficando a alguns metros de mim, lancei um sorriso sem mostrar os dentes e assenti. – Você não anda atendendo minhas liga...
- Ele passa o dia quase todo na bolsa – disse – E às vezes nem o escuto.
- Como esta Demetria? 
- Na mesma – respondi e logo o elevador chegou, antes de entrar, senti sua mão em meu ante-braço.
- Qualquer coisa... – ela disse, assenti e puxei meu braço, entrando no elevador.
...

Abri a porta do apartamento esperando ver alguém esperando-me, talvez os pais de Demi ou seus amigos, mas a única coisa que vi foi a sala silenciosa. Subi as escadas pensando na conversa que tive com papai. Eu não iria quebrar o acordo, disse que tomaria conta de tudo e fiz isso durante esses quatro anos. Trabalhar naquela empresa era a pior coisa que tinha me acontecido, mas se não fosse por ela, eu não estaria morando nessa cobertura em Manhattam, não tinha dinheiro suficiente para comprar jóias, roupas caras ou bolsas para Demetria. Fui interrompida de meus pensamentos quando vi a porta do quarto entre aberta. Em passos lentos dei uma olhada, odiava quem entrasse em meu quarto a não ser a empregada. 
- O que faz aqui, Madison? – a surpreendi adentrando no quarto, Madison estava sentada na cama com uma caixa sobre as pernas, segurava algumas fotos e havia algumas sobre a cama ao seu lado, eu sabia muito bem que caixa era aquela.
- Eu... – ela gaguejou, mas continuou com as fotos nas mãos.
- Sabia que é feio pegar as coisas dos outros sem permissão? – disse pegando a caixa de suas mãos – E eu odeio quem mexe nas minhas coisas.
- Isso não é só seu – ela disse – É da Demi também.
- Mas ela não está aqui – disse irritada.
- E você está adorando né?
- Sai do quarto, garota! – disse alto, Madison ficou encarando-me por alguns minutos, deixou as fotos que segurava em cima da cama e saiu, mas quando chegou perto da porta, virou-se encarando-me.
- Ás vezes fico me perguntando se essa (SeuNome) feliz e legal das fotos é a mesma (SeuNome) amarga e fria que eu vejo agora – E saiu, sentei-me na cama e passei as mãos pelo os cabelos, e antes mesmo que eu pudesse evitar, as lágrimas já saiam. Olhei para o lado vi uma foto, minha e de Demi, não era apenas uma foto, era a nossa primeira foto como namoradas. Peguei e fiquei encarando-a por minutos. Com certeza a (SeuNome) da foto era outra pessoa completamente diferente dessa (SeuNome) de hoje.

...
-... A cirurgia na coluna foi um sucesso – ouvi o médico falar para Dianna e Eddie.
- E agora? – Dianna perguntou.
- Bem, vamos esperar – ele disse por cima dos óculos – Ela ainda esta em coma profundo e...
- Tem quarenta por centos de chance de sobrevivência – respondi, o médico falou mais alguma coisa para Dianna e logo depois saiu.
- Pensei que não viesse hoje, afinal você passou o dia... – Dianna começou, porém logo a interrompi.
- Não lhe devo explicações – disse e fui ate o sofá sentando-me, Dianna e Eddie sentaram-se no sofá ao lado, pude ouvi-los cochichando, com certeza falando mal de mim.
- Filha – ouvi e quase não acreditei, olhei o vulto que estava parado em minha frente e achei que estivesse sonhando.
- Pai? O que... O que faz aqui? – perguntei levantando-me.
- Lembrei que não havia visitado Demetria depois do acidente – ele disse e vi que estava incomodado por está ali.
- George – ouvi a voz de Eddie e logo papai virou-se.
- Eddie – os dois se cumprimentaram com um aperto de mão – Dianna.
- Olá George – ela o cumprimentou – Quanto tempo, não?
- Sim – papai disse – Sinto muito pelo o que aconteceu com Demetria, espero que ela fique bem.
- Também esperamos – Dianna respondeu dando um suspiro.
- Podemos conversar? – ele perguntou encarando-me.
- Se for para discutir sobre minha ausência no escritório...
- Não é sobre isso – ele interrompeu-me, mordi o lábio e assenti. Deixei meu casaco sobre o sofá como um aviso que eu voltaria e o segui até os elevadores. Chegamos até a cantina do hospital, havia várias mesas vazias, logo papai seguiu até lá.
- O que veio fazer aqui verdadeiramente? – perguntei sem delongas sentando em uma cadeira.
- Como disse, visitar...
- Não sou burra, pai, sei que não sairia da empresa por um motivo desses.
- Não tenho muito tempo - ele disse – Só quero que saiba que me importo com sua vida e você pode até pensar que o acordo foi para lhe dá uma lição, mas não foi, (SeuNome).
- Vai logo ao ponto.
- Me preocupo com você e com Demetria também, afinal ela é sua esposa – ele deu uma pausa – Sei o que você esta passando, filha, sei como é ver a pessoa que você ama com poucas chances de sobrevivência, eu passei por isso com sua mãe e não quero que você passe por isso também.
- Ainda não estou entendendo – disse sentindo um nó na garganta por lembrar de mamãe.
- Irei fazer de tudo para que Demetria saia daqui viva com você do lado – ele meteu a mão no paletó que estava, puxando um papel de lá - Aqui é um cheque, sei que esse hospital é um dos melhores, mas existe outros melhores que ele.
- Pai...
- Posso não parecer um pai amoroso, carinhoso que apóia a única filha, mas ainda sou um pai.