22 de mai de 2015

9.

"Don't you remember I'm your baby girl? How could you push me out of your world..." - For The Love of a Daughter.
2014.
 Lílian havia me ligado depois que sai do apartamento de Louis. Meu pai queria me ver, com certeza queria saber por que estava faltado todos esses dias o trabalho. A porta do elevador abriu e rapidamente sai, enquanto andava até a sala do velho, pude sentir os olhares em mim. 
- Seu pai esta lhe esperando – ouvi atrás de mim, virei-me e a vi. Seus cabelos loiros sobre os ombros, uma blusa de botões vermelha e uma saia acima dos joelhos, Lílian me olhava por cima dos óculos e tive a impressão de vê-la morder o lábio. – Vou anunciá-la.
- Não precisa – virei-me e abri a porta. Ele estava falando com alguém ao telefone.
- Estou aqui – disse, ele olhou-me por alguns minutos, girou a cadeira e continuou a falar. Revirei os olhos e cruzei os braços, finalmente ele se despediu e virou-se a cadeira, encarando-me.
- (SeuNome) – ele disse.
- Fala logo o que você quer, pai – disse impaciente, ele deu um sorrisinho sínico.
- Quero saber por que você não esta vindo para empresa – ele disse e eu não pude deixar de sorrir, ele só poderia esta brincando, era alguma pegadinha. – Qual o motivo do sorriso?
- Minha esposa esta em coma em um hospital com poucas chances de sobrevivência – disse sentindo a raiva em minha voz – E você esta preocupado porque eu não estou indo trabalhar?! Você por acaso tem algum problema mental ou algo do tipo?!
- Isso é modo de falar com seu pai?! – ele disse agora parecendo irritado, fechei os olhos e contei de um até dez para não pular em cima dele – Eu estou sabendo e sinto muito pelo o ocorrido.
- Vou fingir que acredito, pai – disse irônica – Tenho que ir agora, porque tenho que ficar...
- E quando você voltará? – ele perguntou sério.
- Não se preocupe – disse – Não irei quebrar o acordo, não quebrei durante quatro anos e não será agora que irei fazer isso.
 Nem me despedi, nunca gostei daquele local, se não fosse pelo acordo eu nunca mais pisaria ali.
- (SeuNome)! – ouvi e reconheci a voz, virei-me e a vi vindo em minha direção.
- Oi Lílian – disse apertando o botão do elevador.
- Queria saber se está bem – ela disse ficando a alguns metros de mim, lancei um sorriso sem mostrar os dentes e assenti. – Você não anda atendendo minhas liga...
- Ele passa o dia quase todo na bolsa – disse – E às vezes nem o escuto.
- Como esta Demetria? 
- Na mesma – respondi e logo o elevador chegou, antes de entrar, senti sua mão em meu ante-braço.
- Qualquer coisa... – ela disse, assenti e puxei meu braço, entrando no elevador.
...

Abri a porta do apartamento esperando ver alguém esperando-me, talvez os pais de Demi ou seus amigos, mas a única coisa que vi foi a sala silenciosa. Subi as escadas pensando na conversa que tive com papai. Eu não iria quebrar o acordo, disse que tomaria conta de tudo e fiz isso durante esses quatro anos. Trabalhar naquela empresa era a pior coisa que tinha me acontecido, mas se não fosse por ela, eu não estaria morando nessa cobertura em Manhattam, não tinha dinheiro suficiente para comprar jóias, roupas caras ou bolsas para Demetria. Fui interrompida de meus pensamentos quando vi a porta do quarto entre aberta. Em passos lentos dei uma olhada, odiava quem entrasse em meu quarto a não ser a empregada. 
- O que faz aqui, Madison? – a surpreendi adentrando no quarto, Madison estava sentada na cama com uma caixa sobre as pernas, segurava algumas fotos e havia algumas sobre a cama ao seu lado, eu sabia muito bem que caixa era aquela.
- Eu... – ela gaguejou, mas continuou com as fotos nas mãos.
- Sabia que é feio pegar as coisas dos outros sem permissão? – disse pegando a caixa de suas mãos – E eu odeio quem mexe nas minhas coisas.
- Isso não é só seu – ela disse – É da Demi também.
- Mas ela não está aqui – disse irritada.
- E você está adorando né?
- Sai do quarto, garota! – disse alto, Madison ficou encarando-me por alguns minutos, deixou as fotos que segurava em cima da cama e saiu, mas quando chegou perto da porta, virou-se encarando-me.
- Ás vezes fico me perguntando se essa (SeuNome) feliz e legal das fotos é a mesma (SeuNome) amarga e fria que eu vejo agora – E saiu, sentei-me na cama e passei as mãos pelo os cabelos, e antes mesmo que eu pudesse evitar, as lágrimas já saiam. Olhei para o lado vi uma foto, minha e de Demi, não era apenas uma foto, era a nossa primeira foto como namoradas. Peguei e fiquei encarando-a por minutos. Com certeza a (SeuNome) da foto era outra pessoa completamente diferente dessa (SeuNome) de hoje.

...
-... A cirurgia na coluna foi um sucesso – ouvi o médico falar para Dianna e Eddie.
- E agora? – Dianna perguntou.
- Bem, vamos esperar – ele disse por cima dos óculos – Ela ainda esta em coma profundo e...
- Tem quarenta por centos de chance de sobrevivência – respondi, o médico falou mais alguma coisa para Dianna e logo depois saiu.
- Pensei que não viesse hoje, afinal você passou o dia... – Dianna começou, porém logo a interrompi.
- Não lhe devo explicações – disse e fui ate o sofá sentando-me, Dianna e Eddie sentaram-se no sofá ao lado, pude ouvi-los cochichando, com certeza falando mal de mim.
- Filha – ouvi e quase não acreditei, olhei o vulto que estava parado em minha frente e achei que estivesse sonhando.
- Pai? O que... O que faz aqui? – perguntei levantando-me.
- Lembrei que não havia visitado Demetria depois do acidente – ele disse e vi que estava incomodado por está ali.
- George – ouvi a voz de Eddie e logo papai virou-se.
- Eddie – os dois se cumprimentaram com um aperto de mão – Dianna.
- Olá George – ela o cumprimentou – Quanto tempo, não?
- Sim – papai disse – Sinto muito pelo o que aconteceu com Demetria, espero que ela fique bem.
- Também esperamos – Dianna respondeu dando um suspiro.
- Podemos conversar? – ele perguntou encarando-me.
- Se for para discutir sobre minha ausência no escritório...
- Não é sobre isso – ele interrompeu-me, mordi o lábio e assenti. Deixei meu casaco sobre o sofá como um aviso que eu voltaria e o segui até os elevadores. Chegamos até a cantina do hospital, havia várias mesas vazias, logo papai seguiu até lá.
- O que veio fazer aqui verdadeiramente? – perguntei sem delongas sentando em uma cadeira.
- Como disse, visitar...
- Não sou burra, pai, sei que não sairia da empresa por um motivo desses.
- Não tenho muito tempo - ele disse – Só quero que saiba que me importo com sua vida e você pode até pensar que o acordo foi para lhe dá uma lição, mas não foi, (SeuNome).
- Vai logo ao ponto.
- Me preocupo com você e com Demetria também, afinal ela é sua esposa – ele deu uma pausa – Sei o que você esta passando, filha, sei como é ver a pessoa que você ama com poucas chances de sobrevivência, eu passei por isso com sua mãe e não quero que você passe por isso também.
- Ainda não estou entendendo – disse sentindo um nó na garganta por lembrar de mamãe.
- Irei fazer de tudo para que Demetria saia daqui viva com você do lado – ele meteu a mão no paletó que estava, puxando um papel de lá - Aqui é um cheque, sei que esse hospital é um dos melhores, mas existe outros melhores que ele.
- Pai...
- Posso não parecer um pai amoroso, carinhoso que apóia a única filha, mas ainda sou um pai.

16 de mai de 2015

8.

"You can't stop this girl from falling more in love with you..." - Stop The World.
2008
 Minha amizade com Demi começou a ficar estranha. Não costumávamos ter espaço entre nossas conversas, mas agora tinha. Poderíamos falar de namoro, mas agora não podíamos mais. Se ela falasse do Alex, eu ficava irritada, se eu falasse que qualquer garota de NY, ela ficava irritada. E a tensão era quase sempre presente em nossas conversas. Aquilo estava acabando comigo, não queria ficar assim com minha melhor amiga, a pessoa que eu amava e confiava mais do que todos nesse mundo.
- Ainda com o problema do beijo? – Jess era minha companheira de quarto naquela época, vendíamos quadros juntas, pintávamos juntas, era minha única amiga, claro, fora Demi. Havia contado para ela sobre o beijo, Jess sempre tinha os melhores conselhos.
- Sim – disse limpando as mãos no avental. Estávamos no quarto que servia de ateliê, sempre que estava com problema ou apenas tendo inspiração ia até lá e começava a pintar. 
- Então decidiu pintar? – ela perguntou olhando para o quadro que eu havia pintado – Ela?
- Não consigo tirá-la da cabeça – respondi também olhando para a tela – Costumo pintar para esfriar a cabeça, mas sempre que pego em um pincel, seu rosto vem em minha cabeça.
- Isso se chama...
- Não fale – disse olhando-a – Eu e Demi somos... Ela é minha melhor amiga, não podemos...
- E porque você não para de pensar nela? – Jess perguntou cruzando os braços. – Aquele beijo mexeu com você, não foi? Então você não para de pensar nele, e o pior de tudo, como quer sentir os lábios dela novamente.
- Quem é você? Deus? – perguntei sorrindo. – O que eu faço? Nossa amizade está indo para o buraco e eu não sei o que fazer. 
- Talvez amizade esta indo para o buraco, porque o que vocês sintam não seja só amizade.
- E eu devo fazer o que? – perguntei.
- Sei lá, conversar com ela – Jess disse e então escutamos a campainha tocar – Deve ser o Charlie, iremos comemorar dois anos de namoro.
- Feliz aniversario de namoro para vocês! – gritei vendo-a sair, peguei o pincel e olhei para o quadro.
- O que esta fazendo com minha cabeça, Demetria? – disse e voltei a pintar, terminando os detalhes do seu sorriso que era a melhor coisa nela.
- Belo quadro – ouvi atrás de mim, porém não virei-me para olhar quem era, estava bastante concentrada – Quem é?
- Uma amiga – respondi querendo encerrar o assunto.
- Como é o nome dela? – a pessoa perguntou novamente, revirei os olhos, porém respondi.
- Demetria.
- E ela mora aqui? – voltou a perguntar, decidi mandar a pessoa embora, senão acabaria errando alguma coisa, virei-me e deixei o pincel cair de minhas mãos por conta da surpresa.
- Demi?! – não sabia se chorava, gritava ou a abraça – O que esta... Como...?
- Uma pergunta de cada vez – ela disse sorrindo – Preciso de um abraço agora.
- Nem precisa pedir duas vezes – respondi e corri para seus braços. O abraço foi diferente naquele dia, sentíamos saudades uma da outra, era claro, porém de uma forma diferente. Não queria solta-la e muito menos ela queria isso, então ficamos abraçadas ali, com meu avental com respingos de tinta sujando sua roupa.
- O que esta fazendo aqui? – perguntei quando finalmente nos separamos – Vem, vamos sair daqui.
- Não, é a primeira vez que estou aqui – ela disse olhando em volta – É lindo.
- Eu sei, mas não é lugar para visitas, principalmente uma visita como essa – disse tirando o avental e jogando em cima de uma cadeira. A puxei porta a fora, seguindo para a sala.
- Então, me conte tudo – disse indo até a cozinha e pegando duas cervejas.
- Peguei o carro e vim fazer uma visita – ela respondeu assim que me sentei ao seu lado – Você sempre ia para Albuquerque me ver, porque não ir até New York para ver você?
- Ótima resposta – respondi dando um gole em minha cerveja – Agora me conta o real motivo.
- Quero conhecer o local – ela respondeu – Já que pretendo me mudar para cá em breve.
- Você não esta falando serio.
- Mas sério que isso, só meu pai me mandando fazer medicina – ela respondeu e não pude evitar o sorriso.
- Isso é tão incrível – disse – Quanto tempo você pretende ficar?
- Até ele perceber que não estou indo a faculdade e perceber que seu carro sumiu.
- Ótimo então, até que ele não perceba, temos que comemorar – disse levantando-me.
...

 Eu não era muito fã de festas, sempre que eu, Jess ou Charlie saímos íamos a um pub no mesmo quarteirão, lá era onde todos os artistas de rua se encontravam. O lugar era bem diferente, era um local pequeno, as únicas luzes eram dos abajures que ficavam em cima das mesas e algumas luzes que ficava nas paredes, mesmo assim o local era bastante mal iluminado, havia varias mesas espalhadas pelo local e bem no fim havia um pequeno palco onde qualquer pessoa – qualquer pessoa mesmo – podia subir lá e cantar. Poderíamos ir a uma boate de NY, porém preferíamos esse lugar, era o nosso lugar. 
- Bem vinda à casa dos artistas de rua – disse adentrando no local, eram nove da noite e o pub estava cheio, havia uma banda que cantava – muito bem por sinal – It’s My Life do Bon Jovi. Sentamos em mesa perto do palco, eu, Demi, Jess e Charlie.
- Então Demi, é um prazer finalmente conhece-la – Charlie disse sorrindo.
- Finalmente conhecemos a garota que (SeuNome) vive falando – Jess disse amigavelmente – Demi isso, Demi aquilo, você tem que ver.
- Cala a boca, Jessica – disse revirando os olhos.
- Mas é verdade – Jess disse – Enfim, o que você faz lá em Albuquerque, Demi?
- Estou na faculdade – Demi respondeu – De medicina.
- Pelo menos não é direito – Charlie falou e começou a rir, logo Jess se juntou a ele.
- Me deixa adivinhar, seu pai te pediu isso, certo? – Jess disse depois de recompor. 
- Exatamente – ela respondeu um pouco incomodada, lancei um olhar nada agradável para Jess.
- Iremos pedir as bebidas – Charlie falou e logo seguiu com Jess para o bar.
- Eles são fofos juntos – Demi disse após ele saírem.
- É, mas tenho que sair do apartamento quando eles estão “animados” – disse e a vi sorri.
- E você? Quer dizer, eles também não tem que sair quando você esta “animada”? 
- É diferente – disse dando de ombros – Não vou para o apartamento. 
- Porque não?
- Vamos mesmo falar sobre isso? – perguntei encarando-a, Demi assentiu e virou-se. – Não ficou com raiva, né?
- Não, tudo bem – Demi disse, porém sabia que ela estava – Sabe, não sei se esta reparando, mas nossa amizade anda estranha. 
- Eu reparei sim – disse e Demi virou-se para mim – Isso começou depois do...
- Do beijo? Acho que não – Demi disse e arqueou as sobrancelhas – Ta, foi sim depois do nosso beijo.
- Acho... – comecei, porém fui interrompida, não pode Demi, mas sim por Jess.
- (SeuNome)! – ela chamou, olhei e a vi vindo em nossa direção, logo atrás Charlie tentava se equilibrar para as quatro bebidas que trazia para não cair.
- O que foi? – perguntei.
- Adivinha quem está aqui – ela disse, arqueei as sobrancelhas confusa.
- Quem?
- Sério que você não tem nenhuma ideia? – ela perguntou desapontada.
- Fala logo, Jess – disse impaciente.
- Maya Santine – Jess respondeu e eu arregalei os olhos. Maya foi à primeira mulher que eu havia me envolvido realmente, havia ficado com algumas garotas, porém nunca namorado, Maya foi minha primeira namorada. 
- Cadê aquela vadia? Quero dá na cara dela – Demi disse irritada, a encarei.
- Ei calma, Demi – disse sorrindo – Você não irá bater em ninguém.
- Até porque ela esta vindo para cá – Charlie disse e virei-me e realmente Maya estava vindo em nossa direção, os cabelos pretos soltos, a pele bronzeada, aquelas curvas... 
- (SeuNome)? – ela disse parando perto da nossa mesa – Meu Deus, que coincidência.
- Que filha da puta – ouvi Demi sussurrar, mordi o lábio para não sorri e levantei-me.
- Maya – disse cumprimentando-a – Pura coincidência, afinal foi aqui que nos conhecemos.
- Podemos conversar? – ela perguntou um pouco envergonhada.
- Não posso – disse voltando a me sentar – Não posso fazer uma desfeita dessas com meus convidados.
- Prometo não demorar – ela insistiu.
- Não ouviu o que ela disse? – Demi disse irritada.
- Não, quer saber? Vou ouvir o que você tem a dizer – disse levantando-me, Maya sorriu vitoriosa – Cinco minutos.
- Obrigada – ela pediu e logo seguimos para o bar, olhei por cima do ombro e Demi estava lançando um olhar mortal para mim. Chegamos até o bar, sentei-me em um banco e logo Maya fez o mesmo.
- Então, o que quer? – perguntei.
- Eu queria pedir desculpas – ela disse – O que eu fiz com você não foi certo...
- Acabou com o showzinho?
- Estou falando serio, (SeuNome) – ela disse desviando o olhar para o chão – Eu realmente estou arrependida por ter feito... Não foi certo sumir no dia seguinte, eu sinto muito.
- Certo, aceito suas desculpas – disse e a vi me encarar surpresa, mesmo assim logo depois sorriu – Amigas, certo?
- Amigas? – ela falou desanimada, assenti e a vi aproximar – Estava pensando em...
- Em nada – disse afastando-me – Agora vou voltar, adeus Maya.
 Virei-me e segui em direção a mesa, Demi tinha um sorriso de lado, com certeza viu o que tinha feito, sorri para ela, porém senti alguém puxar-me pelo o braço e eu sabia muito bem quem era. A conheci não só por seu perfume, mas pelo os seus lábios, era Maya quem havia me puxado e me beijado. 
- Sabia que você não resistiria – Maya sussurrou perto do meu ouvido.
- Você que não resistiu ao meu charme – respondi balançando a cabeça negativamente e indo em direção a mesa, porém apenas Jess e Charlie estavam sentados.
- Onde esta a Demi? – perguntei sentando-me e logo vi Maya fazer o mesmo.
- Ela saiu – Jess respondeu bebendo um pouco de sua bebida.
- Para onde? – perguntei e peguei minha bebida.
- Não sei, ela ficou vermelha e saiu – foi Charlie quem respondeu. Levantei-me rapidamente, Demi havia ficado com ciúmes, isso era fato, mesmo assim não sabia se ficava feliz por isso, ou se ficava preocupada, já que ela estava por aí sozinha, em uma cidade que mal conhecia.
- Vou procura-la – disse e olhei para Maya – Volto já. 
 E logo sai em direção a saída, avistei Demi sentada no meio fio, me aproximei e sentei-me ao seu lado.
- Cansou da vaca? – ela perguntou revirando os olhos. 
- Sabia que você fica super fofa com ciúmes – disse e a vi encarar-me com as sobrancelhas arqueadas.
- E quem disse que eu estou com ciúmes? – ela perguntou e eu sorri – Para de sorrir, idiota!
- Vamos voltar lá para dentro – disse levantando-me.
- Quero ir embora – ela disse sem olhar-me.
- Acabamos de chegar, Demi – disse.
- Mas eu quero ir, você vai me deixar sim ou não? – Demi perguntou finalmente olhando-me – Já entendi, não vai, okay, me passa o endereço.
- Não passo não – disse e me agachei ao seu lado – Viemos comemorar a sua visita a NY, não vou deixá-la...
- Você já deixou, (SeuNome) – ela respondeu seca, engoli o seco e levantei-me.
- Irei buscar a chaves do carro – disse encarando o chão.
- Quer saber? Não precisa, esqueci que tenho o endereço – ela disse levantando-se, mordi o lábio e finalmente a encarei.
- Te vejo depois – respondi, Demi forçou o sorriso e deu sinal para o táxi, logo um carro amarelo parou, Demi abriu a porta e olhou-me.
- Tchau – disse vendo-a adentrar no táxi e logo o mesmo deu partida.
 Não consegui me animar naquela noite, nem mesmo Maya me animou, disse que não estava a fim de nada e ela foi embora, pelo menos não a vi mais no pub naquela noite. A única coisa boa foi que eu havia bebido, Jess e Charlie já estavam bêbedos e cantavam uma musica do R.E.M em cima do palco, sabia que depois dali eles iram dizer que estavam cansados e iriam para casa, só que eles não estavam cansados, só queriam ir para casa e fazer sexo. 
 Quando cheguei em casa, Jess e Charlie foram para o quarto e eu fui para o meu, Demi estava dormindo na cama. Tomei um banho bem demorado, vesti uma roupa confortável e deitei-me.
- O que esta fazendo? – ouvi Demi sussurrar, não pude deixar de sorrir.
- Deitando na cama para dormir? – sussurrei perto de seu ouvido.
- A noite não foi boa? O que aconteceu com a Maya?
- Sério mesmo que você vai discutir uma hora dessas? – perguntei e a vi virar-se para encarar-me.
- Desculpe por agir daquela forma – Demi falou baixo, sorri e me aproximei mais dela.
- Eu entendo – respondi escutando sua respiração – E foi totalmente fofo.
- Ciúmes não é fofo.
- Então você assume que sentiu ciúmes – sussurrei, mas queria gritar naquela hora, mesmo com as luzes apagadas sabia que qualquer pessoa poderia ver meu sorriso.
- Assumo e com muito orgulho.

13 de mai de 2015

7.

"She had a world of chances, chances you were burning through..." - World of Chances.
Ano de 2014.
 A casa estava extremamente silenciosa. Havia passado algumas horas desde que voltei do hospital. Agora Dianna e Eddie estavam lá, assim como Selena e Dallas. Miley e Nick haviam saído, assim como eu. Nunca me senti tão sozinha ali dentro, sem a voz de Demi, sentia falta do som de suas risadas e até mesmo dos seus gritos, eu sentia falta dela. Tomei coragem e levantei-me, seguindo em direção as escadas. Eu não tinha animação para nada, nem para sair ou para trabalhar. Queria apenas que Demi saísse daquele hospital logo. 
 Assim que tirei o casaco, joguei em cima da cama e vi que algo havia caído dele, era um cartão, abaixei-me e vi. Era um endereço e logo abaixo havia escrito de quem se tratava, Louis. Sorri em ver que poderia desabafar com alguém, Louis já foi meu amigo e algo me dizia que ele queria voltar a ser novamente. Tomei um banho rápido e vesti a primeira roupa que vi, peguei uma bolsa e as chaves do carro. 
 Enquanto dirigia até o tal endereço, mal conseguia respirar, nesses últimos dias ia do hospital para casa e de casa para o hospital, estava contente em finalmente sair daquela rotina. Estacionei o carro em frente a um apartamento que há muito tempo não via uma reforma, olhei pela redondeza e todos pareciam do mesmo jeito, respirei fundo e subi as escadas, toquei o interfone e demorou alguns minutos até finalmente atender.
- Pois não – ouvi a voz com um pouco de dificuldade.
- O Louis se encontra? – perguntei.
- Que Louis? – a voz voltou a perguntar.
- Louis... – tentei lembrar do sobrenome – Louis Tomlinson.
- E quem deseja falar com ele? 
- (SeuNome) Forman – respondi.
- (SeuNome)! Meu Deus! É você, pode entrar – era a mesma voz e parecia animada – Apartamento quatro. 
 Abri a porta e senti um cheiro de mofo penetrar em minhas narinas, o lugar estava deserto, havia algumas portas e logo a frente havia uma enorme escada. Respirei fundo e comecei a subir as escadas, logo cheguei ao andar de cima, olhei as portas e vi um quarto enorme e prata. Andei até lá e rapidamente bati na porta, logo ouvi o som de trancas e rapidamente vi um Louis sem camisa atender a porta.
- Você veio – ele disse sorrindo – Entra. 
 O apartamento era bem arrumado, um balcão separava a sala da cozinha, havia um sofá bege, uma mesinha de centro onde havia varias revistas, uma televisão e uma porta que deduzi ser o quarto de Louis. Sorri em lembrar do apartamento que morava quando vim para New York.
- Desculpe a bagunça – ele disse enquanto sentava-me no sofá – Sei que você já entrou em casas melhores...
- É perfeito, Louis – disse sorrindo, ele deu um sorriso tímido. – Me faz lembrar do meu antigo apartamento.
- Quer beber alguma coisa? Café? Chá? Cerveja? – ele perguntou.
- Uma cerveja – respondi e o vi ficar surpreso, porém logo assentiu e seguiu em direção a cozinha. 
- Então, como está? – pude ouvi-lo da cozinha.
- Do mesmo jeito desde a ultima vez que nos encontramos – respondi com um suspiro, logo Louis voltou trazendo duas cervejas e sentando-se ao meu lado.
- Eu sinto muito pelo o que aconteceu com sua esposa – ele disse abrindo a garrafa e bebendo um pouco – Andei pesquisando sobre você.
- Obrigada – respondi fazendo o mesmo com minha cerveja.
- Como ela está? – Louis perguntou.
- Com quarenta por cento de chances de sobreviver – respondi e ficamos em silencio, um silencio agradável. 
- Suponho que queira conversar – ele disse depois de algum tempo, tomei outro gole e assenti. – Sou todos ouvidos. 
 Contei tudo a ele. Contei sobre o acidente, sobre o motivo do acidente, também contei sobre minha vida com Demi. Sem deixar nada escapar e quanto mais eu contava, repassava a historia em minha cabeça e pensava em como a nossa historia se desfez tão rapidamente. Éramos amigas, sempre fomos e logo depois nos tornamos namoradas, amantes. Porém quando pensamos em oficializar, nosso relacionamento caiu. Os dois primeiros anos eram perfeitos, mas logo veio minhas horas extras no escritório, ajudando meu pai a administrar os hotéis pelo país. Acabava chegando tarde em casa e Demi pensando que eu estava traindo-a, até finalmente trair verdadeiramente. 
- Nossa! – Louis disse por fim.
- Você me odeia agora, não é? Como os outros – disse encarando-o, Louis mordeu o lábio e balançou a cabeça negativamente.
- Não odeio você, (SeuNome) – ele disse – Mas também não posso dizer que o que fez com Demi foi certo.
- Eu sei disso, Louis – disse assentindo – Eu fui uma péssima parceira para ela, eu...
- Mas você não era assim, certo? – ele perguntou – Você já a amou?
- Muito – respondi – Mais que minha própria vida.
- E você ainda a ama?
- Claro que sim, Louis.
- Desse jeito? Mais que sua própria vida? – Louis perguntou, mordi o lábio, eu nunca deixei de amar Demi, mesmo com todas brigas... 
- Sinceramente? Eu não sei responder – disse e Louis assentiu.
- Eu não sou muito bom de relacionamentos, estou com a mesma pessoa há anos, mesmo assim vou lhe da um conselho – ele disse – Não sei muito bem a historia completa de vocês duas, porém pelo o que você me contou, vi que não só seu casamento, mas também a amizade que vocês tinham se desgastou com o tempo.
- E você acha que meu relacionamento com ela pode voltar como era antes?
- Talvez – ele disse – Mas só depende que você queira isso, e você quer (SeuNome)? Você quer voltar a ter um verdadeiro relacionamento com Demi?