22 de mai. de 2015

9.

"Don't you remember I'm your baby girl? How could you push me out of your world..." - For The Love of a Daughter.
2014.
 Lílian havia me ligado depois que sai do apartamento de Louis. Meu pai queria me ver, com certeza queria saber por que estava faltado todos esses dias o trabalho. A porta do elevador abriu e rapidamente sai, enquanto andava até a sala do velho, pude sentir os olhares em mim. 
- Seu pai esta lhe esperando – ouvi atrás de mim, virei-me e a vi. Seus cabelos loiros sobre os ombros, uma blusa de botões vermelha e uma saia acima dos joelhos, Lílian me olhava por cima dos óculos e tive a impressão de vê-la morder o lábio. – Vou anunciá-la.
- Não precisa – virei-me e abri a porta. Ele estava falando com alguém ao telefone.
- Estou aqui – disse, ele olhou-me por alguns minutos, girou a cadeira e continuou a falar. Revirei os olhos e cruzei os braços, finalmente ele se despediu e virou-se a cadeira, encarando-me.
- (SeuNome) – ele disse.
- Fala logo o que você quer, pai – disse impaciente, ele deu um sorrisinho sínico.
- Quero saber por que você não esta vindo para empresa – ele disse e eu não pude deixar de sorrir, ele só poderia esta brincando, era alguma pegadinha. – Qual o motivo do sorriso?
- Minha esposa esta em coma em um hospital com poucas chances de sobrevivência – disse sentindo a raiva em minha voz – E você esta preocupado porque eu não estou indo trabalhar?! Você por acaso tem algum problema mental ou algo do tipo?!
- Isso é modo de falar com seu pai?! – ele disse agora parecendo irritado, fechei os olhos e contei de um até dez para não pular em cima dele – Eu estou sabendo e sinto muito pelo o ocorrido.
- Vou fingir que acredito, pai – disse irônica – Tenho que ir agora, porque tenho que ficar...
- E quando você voltará? – ele perguntou sério.
- Não se preocupe – disse – Não irei quebrar o acordo, não quebrei durante quatro anos e não será agora que irei fazer isso.
 Nem me despedi, nunca gostei daquele local, se não fosse pelo acordo eu nunca mais pisaria ali.
- (SeuNome)! – ouvi e reconheci a voz, virei-me e a vi vindo em minha direção.
- Oi Lílian – disse apertando o botão do elevador.
- Queria saber se está bem – ela disse ficando a alguns metros de mim, lancei um sorriso sem mostrar os dentes e assenti. – Você não anda atendendo minhas liga...
- Ele passa o dia quase todo na bolsa – disse – E às vezes nem o escuto.
- Como esta Demetria? 
- Na mesma – respondi e logo o elevador chegou, antes de entrar, senti sua mão em meu ante-braço.
- Qualquer coisa... – ela disse, assenti e puxei meu braço, entrando no elevador.
...

Abri a porta do apartamento esperando ver alguém esperando-me, talvez os pais de Demi ou seus amigos, mas a única coisa que vi foi a sala silenciosa. Subi as escadas pensando na conversa que tive com papai. Eu não iria quebrar o acordo, disse que tomaria conta de tudo e fiz isso durante esses quatro anos. Trabalhar naquela empresa era a pior coisa que tinha me acontecido, mas se não fosse por ela, eu não estaria morando nessa cobertura em Manhattam, não tinha dinheiro suficiente para comprar jóias, roupas caras ou bolsas para Demetria. Fui interrompida de meus pensamentos quando vi a porta do quarto entre aberta. Em passos lentos dei uma olhada, odiava quem entrasse em meu quarto a não ser a empregada. 
- O que faz aqui, Madison? – a surpreendi adentrando no quarto, Madison estava sentada na cama com uma caixa sobre as pernas, segurava algumas fotos e havia algumas sobre a cama ao seu lado, eu sabia muito bem que caixa era aquela.
- Eu... – ela gaguejou, mas continuou com as fotos nas mãos.
- Sabia que é feio pegar as coisas dos outros sem permissão? – disse pegando a caixa de suas mãos – E eu odeio quem mexe nas minhas coisas.
- Isso não é só seu – ela disse – É da Demi também.
- Mas ela não está aqui – disse irritada.
- E você está adorando né?
- Sai do quarto, garota! – disse alto, Madison ficou encarando-me por alguns minutos, deixou as fotos que segurava em cima da cama e saiu, mas quando chegou perto da porta, virou-se encarando-me.
- Ás vezes fico me perguntando se essa (SeuNome) feliz e legal das fotos é a mesma (SeuNome) amarga e fria que eu vejo agora – E saiu, sentei-me na cama e passei as mãos pelo os cabelos, e antes mesmo que eu pudesse evitar, as lágrimas já saiam. Olhei para o lado vi uma foto, minha e de Demi, não era apenas uma foto, era a nossa primeira foto como namoradas. Peguei e fiquei encarando-a por minutos. Com certeza a (SeuNome) da foto era outra pessoa completamente diferente dessa (SeuNome) de hoje.

...
-... A cirurgia na coluna foi um sucesso – ouvi o médico falar para Dianna e Eddie.
- E agora? – Dianna perguntou.
- Bem, vamos esperar – ele disse por cima dos óculos – Ela ainda esta em coma profundo e...
- Tem quarenta por centos de chance de sobrevivência – respondi, o médico falou mais alguma coisa para Dianna e logo depois saiu.
- Pensei que não viesse hoje, afinal você passou o dia... – Dianna começou, porém logo a interrompi.
- Não lhe devo explicações – disse e fui ate o sofá sentando-me, Dianna e Eddie sentaram-se no sofá ao lado, pude ouvi-los cochichando, com certeza falando mal de mim.
- Filha – ouvi e quase não acreditei, olhei o vulto que estava parado em minha frente e achei que estivesse sonhando.
- Pai? O que... O que faz aqui? – perguntei levantando-me.
- Lembrei que não havia visitado Demetria depois do acidente – ele disse e vi que estava incomodado por está ali.
- George – ouvi a voz de Eddie e logo papai virou-se.
- Eddie – os dois se cumprimentaram com um aperto de mão – Dianna.
- Olá George – ela o cumprimentou – Quanto tempo, não?
- Sim – papai disse – Sinto muito pelo o que aconteceu com Demetria, espero que ela fique bem.
- Também esperamos – Dianna respondeu dando um suspiro.
- Podemos conversar? – ele perguntou encarando-me.
- Se for para discutir sobre minha ausência no escritório...
- Não é sobre isso – ele interrompeu-me, mordi o lábio e assenti. Deixei meu casaco sobre o sofá como um aviso que eu voltaria e o segui até os elevadores. Chegamos até a cantina do hospital, havia várias mesas vazias, logo papai seguiu até lá.
- O que veio fazer aqui verdadeiramente? – perguntei sem delongas sentando em uma cadeira.
- Como disse, visitar...
- Não sou burra, pai, sei que não sairia da empresa por um motivo desses.
- Não tenho muito tempo - ele disse – Só quero que saiba que me importo com sua vida e você pode até pensar que o acordo foi para lhe dá uma lição, mas não foi, (SeuNome).
- Vai logo ao ponto.
- Me preocupo com você e com Demetria também, afinal ela é sua esposa – ele deu uma pausa – Sei o que você esta passando, filha, sei como é ver a pessoa que você ama com poucas chances de sobrevivência, eu passei por isso com sua mãe e não quero que você passe por isso também.
- Ainda não estou entendendo – disse sentindo um nó na garganta por lembrar de mamãe.
- Irei fazer de tudo para que Demetria saia daqui viva com você do lado – ele meteu a mão no paletó que estava, puxando um papel de lá - Aqui é um cheque, sei que esse hospital é um dos melhores, mas existe outros melhores que ele.
- Pai...
- Posso não parecer um pai amoroso, carinhoso que apóia a única filha, mas ainda sou um pai.

16 de mai. de 2015

8.

"You can't stop this girl from falling more in love with you..." - Stop The World.
2008
 Minha amizade com Demi começou a ficar estranha. Não costumávamos ter espaço entre nossas conversas, mas agora tinha. Poderíamos falar de namoro, mas agora não podíamos mais. Se ela falasse do Alex, eu ficava irritada, se eu falasse que qualquer garota de NY, ela ficava irritada. E a tensão era quase sempre presente em nossas conversas. Aquilo estava acabando comigo, não queria ficar assim com minha melhor amiga, a pessoa que eu amava e confiava mais do que todos nesse mundo.
- Ainda com o problema do beijo? – Jess era minha companheira de quarto naquela época, vendíamos quadros juntas, pintávamos juntas, era minha única amiga, claro, fora Demi. Havia contado para ela sobre o beijo, Jess sempre tinha os melhores conselhos.
- Sim – disse limpando as mãos no avental. Estávamos no quarto que servia de ateliê, sempre que estava com problema ou apenas tendo inspiração ia até lá e começava a pintar. 
- Então decidiu pintar? – ela perguntou olhando para o quadro que eu havia pintado – Ela?
- Não consigo tirá-la da cabeça – respondi também olhando para a tela – Costumo pintar para esfriar a cabeça, mas sempre que pego em um pincel, seu rosto vem em minha cabeça.
- Isso se chama...
- Não fale – disse olhando-a – Eu e Demi somos... Ela é minha melhor amiga, não podemos...
- E porque você não para de pensar nela? – Jess perguntou cruzando os braços. – Aquele beijo mexeu com você, não foi? Então você não para de pensar nele, e o pior de tudo, como quer sentir os lábios dela novamente.
- Quem é você? Deus? – perguntei sorrindo. – O que eu faço? Nossa amizade está indo para o buraco e eu não sei o que fazer. 
- Talvez amizade esta indo para o buraco, porque o que vocês sintam não seja só amizade.
- E eu devo fazer o que? – perguntei.
- Sei lá, conversar com ela – Jess disse e então escutamos a campainha tocar – Deve ser o Charlie, iremos comemorar dois anos de namoro.
- Feliz aniversario de namoro para vocês! – gritei vendo-a sair, peguei o pincel e olhei para o quadro.
- O que esta fazendo com minha cabeça, Demetria? – disse e voltei a pintar, terminando os detalhes do seu sorriso que era a melhor coisa nela.
- Belo quadro – ouvi atrás de mim, porém não virei-me para olhar quem era, estava bastante concentrada – Quem é?
- Uma amiga – respondi querendo encerrar o assunto.
- Como é o nome dela? – a pessoa perguntou novamente, revirei os olhos, porém respondi.
- Demetria.
- E ela mora aqui? – voltou a perguntar, decidi mandar a pessoa embora, senão acabaria errando alguma coisa, virei-me e deixei o pincel cair de minhas mãos por conta da surpresa.
- Demi?! – não sabia se chorava, gritava ou a abraça – O que esta... Como...?
- Uma pergunta de cada vez – ela disse sorrindo – Preciso de um abraço agora.
- Nem precisa pedir duas vezes – respondi e corri para seus braços. O abraço foi diferente naquele dia, sentíamos saudades uma da outra, era claro, porém de uma forma diferente. Não queria solta-la e muito menos ela queria isso, então ficamos abraçadas ali, com meu avental com respingos de tinta sujando sua roupa.
- O que esta fazendo aqui? – perguntei quando finalmente nos separamos – Vem, vamos sair daqui.
- Não, é a primeira vez que estou aqui – ela disse olhando em volta – É lindo.
- Eu sei, mas não é lugar para visitas, principalmente uma visita como essa – disse tirando o avental e jogando em cima de uma cadeira. A puxei porta a fora, seguindo para a sala.
- Então, me conte tudo – disse indo até a cozinha e pegando duas cervejas.
- Peguei o carro e vim fazer uma visita – ela respondeu assim que me sentei ao seu lado – Você sempre ia para Albuquerque me ver, porque não ir até New York para ver você?
- Ótima resposta – respondi dando um gole em minha cerveja – Agora me conta o real motivo.
- Quero conhecer o local – ela respondeu – Já que pretendo me mudar para cá em breve.
- Você não esta falando serio.
- Mas sério que isso, só meu pai me mandando fazer medicina – ela respondeu e não pude evitar o sorriso.
- Isso é tão incrível – disse – Quanto tempo você pretende ficar?
- Até ele perceber que não estou indo a faculdade e perceber que seu carro sumiu.
- Ótimo então, até que ele não perceba, temos que comemorar – disse levantando-me.
...

 Eu não era muito fã de festas, sempre que eu, Jess ou Charlie saímos íamos a um pub no mesmo quarteirão, lá era onde todos os artistas de rua se encontravam. O lugar era bem diferente, era um local pequeno, as únicas luzes eram dos abajures que ficavam em cima das mesas e algumas luzes que ficava nas paredes, mesmo assim o local era bastante mal iluminado, havia varias mesas espalhadas pelo local e bem no fim havia um pequeno palco onde qualquer pessoa – qualquer pessoa mesmo – podia subir lá e cantar. Poderíamos ir a uma boate de NY, porém preferíamos esse lugar, era o nosso lugar. 
- Bem vinda à casa dos artistas de rua – disse adentrando no local, eram nove da noite e o pub estava cheio, havia uma banda que cantava – muito bem por sinal – It’s My Life do Bon Jovi. Sentamos em mesa perto do palco, eu, Demi, Jess e Charlie.
- Então Demi, é um prazer finalmente conhece-la – Charlie disse sorrindo.
- Finalmente conhecemos a garota que (SeuNome) vive falando – Jess disse amigavelmente – Demi isso, Demi aquilo, você tem que ver.
- Cala a boca, Jessica – disse revirando os olhos.
- Mas é verdade – Jess disse – Enfim, o que você faz lá em Albuquerque, Demi?
- Estou na faculdade – Demi respondeu – De medicina.
- Pelo menos não é direito – Charlie falou e começou a rir, logo Jess se juntou a ele.
- Me deixa adivinhar, seu pai te pediu isso, certo? – Jess disse depois de recompor. 
- Exatamente – ela respondeu um pouco incomodada, lancei um olhar nada agradável para Jess.
- Iremos pedir as bebidas – Charlie falou e logo seguiu com Jess para o bar.
- Eles são fofos juntos – Demi disse após ele saírem.
- É, mas tenho que sair do apartamento quando eles estão “animados” – disse e a vi sorri.
- E você? Quer dizer, eles também não tem que sair quando você esta “animada”? 
- É diferente – disse dando de ombros – Não vou para o apartamento. 
- Porque não?
- Vamos mesmo falar sobre isso? – perguntei encarando-a, Demi assentiu e virou-se. – Não ficou com raiva, né?
- Não, tudo bem – Demi disse, porém sabia que ela estava – Sabe, não sei se esta reparando, mas nossa amizade anda estranha. 
- Eu reparei sim – disse e Demi virou-se para mim – Isso começou depois do...
- Do beijo? Acho que não – Demi disse e arqueou as sobrancelhas – Ta, foi sim depois do nosso beijo.
- Acho... – comecei, porém fui interrompida, não pode Demi, mas sim por Jess.
- (SeuNome)! – ela chamou, olhei e a vi vindo em nossa direção, logo atrás Charlie tentava se equilibrar para as quatro bebidas que trazia para não cair.
- O que foi? – perguntei.
- Adivinha quem está aqui – ela disse, arqueei as sobrancelhas confusa.
- Quem?
- Sério que você não tem nenhuma ideia? – ela perguntou desapontada.
- Fala logo, Jess – disse impaciente.
- Maya Santine – Jess respondeu e eu arregalei os olhos. Maya foi à primeira mulher que eu havia me envolvido realmente, havia ficado com algumas garotas, porém nunca namorado, Maya foi minha primeira namorada. 
- Cadê aquela vadia? Quero dá na cara dela – Demi disse irritada, a encarei.
- Ei calma, Demi – disse sorrindo – Você não irá bater em ninguém.
- Até porque ela esta vindo para cá – Charlie disse e virei-me e realmente Maya estava vindo em nossa direção, os cabelos pretos soltos, a pele bronzeada, aquelas curvas... 
- (SeuNome)? – ela disse parando perto da nossa mesa – Meu Deus, que coincidência.
- Que filha da puta – ouvi Demi sussurrar, mordi o lábio para não sorri e levantei-me.
- Maya – disse cumprimentando-a – Pura coincidência, afinal foi aqui que nos conhecemos.
- Podemos conversar? – ela perguntou um pouco envergonhada.
- Não posso – disse voltando a me sentar – Não posso fazer uma desfeita dessas com meus convidados.
- Prometo não demorar – ela insistiu.
- Não ouviu o que ela disse? – Demi disse irritada.
- Não, quer saber? Vou ouvir o que você tem a dizer – disse levantando-me, Maya sorriu vitoriosa – Cinco minutos.
- Obrigada – ela pediu e logo seguimos para o bar, olhei por cima do ombro e Demi estava lançando um olhar mortal para mim. Chegamos até o bar, sentei-me em um banco e logo Maya fez o mesmo.
- Então, o que quer? – perguntei.
- Eu queria pedir desculpas – ela disse – O que eu fiz com você não foi certo...
- Acabou com o showzinho?
- Estou falando serio, (SeuNome) – ela disse desviando o olhar para o chão – Eu realmente estou arrependida por ter feito... Não foi certo sumir no dia seguinte, eu sinto muito.
- Certo, aceito suas desculpas – disse e a vi me encarar surpresa, mesmo assim logo depois sorriu – Amigas, certo?
- Amigas? – ela falou desanimada, assenti e a vi aproximar – Estava pensando em...
- Em nada – disse afastando-me – Agora vou voltar, adeus Maya.
 Virei-me e segui em direção a mesa, Demi tinha um sorriso de lado, com certeza viu o que tinha feito, sorri para ela, porém senti alguém puxar-me pelo o braço e eu sabia muito bem quem era. A conheci não só por seu perfume, mas pelo os seus lábios, era Maya quem havia me puxado e me beijado. 
- Sabia que você não resistiria – Maya sussurrou perto do meu ouvido.
- Você que não resistiu ao meu charme – respondi balançando a cabeça negativamente e indo em direção a mesa, porém apenas Jess e Charlie estavam sentados.
- Onde esta a Demi? – perguntei sentando-me e logo vi Maya fazer o mesmo.
- Ela saiu – Jess respondeu bebendo um pouco de sua bebida.
- Para onde? – perguntei e peguei minha bebida.
- Não sei, ela ficou vermelha e saiu – foi Charlie quem respondeu. Levantei-me rapidamente, Demi havia ficado com ciúmes, isso era fato, mesmo assim não sabia se ficava feliz por isso, ou se ficava preocupada, já que ela estava por aí sozinha, em uma cidade que mal conhecia.
- Vou procura-la – disse e olhei para Maya – Volto já. 
 E logo sai em direção a saída, avistei Demi sentada no meio fio, me aproximei e sentei-me ao seu lado.
- Cansou da vaca? – ela perguntou revirando os olhos. 
- Sabia que você fica super fofa com ciúmes – disse e a vi encarar-me com as sobrancelhas arqueadas.
- E quem disse que eu estou com ciúmes? – ela perguntou e eu sorri – Para de sorrir, idiota!
- Vamos voltar lá para dentro – disse levantando-me.
- Quero ir embora – ela disse sem olhar-me.
- Acabamos de chegar, Demi – disse.
- Mas eu quero ir, você vai me deixar sim ou não? – Demi perguntou finalmente olhando-me – Já entendi, não vai, okay, me passa o endereço.
- Não passo não – disse e me agachei ao seu lado – Viemos comemorar a sua visita a NY, não vou deixá-la...
- Você já deixou, (SeuNome) – ela respondeu seca, engoli o seco e levantei-me.
- Irei buscar a chaves do carro – disse encarando o chão.
- Quer saber? Não precisa, esqueci que tenho o endereço – ela disse levantando-se, mordi o lábio e finalmente a encarei.
- Te vejo depois – respondi, Demi forçou o sorriso e deu sinal para o táxi, logo um carro amarelo parou, Demi abriu a porta e olhou-me.
- Tchau – disse vendo-a adentrar no táxi e logo o mesmo deu partida.
 Não consegui me animar naquela noite, nem mesmo Maya me animou, disse que não estava a fim de nada e ela foi embora, pelo menos não a vi mais no pub naquela noite. A única coisa boa foi que eu havia bebido, Jess e Charlie já estavam bêbedos e cantavam uma musica do R.E.M em cima do palco, sabia que depois dali eles iram dizer que estavam cansados e iriam para casa, só que eles não estavam cansados, só queriam ir para casa e fazer sexo. 
 Quando cheguei em casa, Jess e Charlie foram para o quarto e eu fui para o meu, Demi estava dormindo na cama. Tomei um banho bem demorado, vesti uma roupa confortável e deitei-me.
- O que esta fazendo? – ouvi Demi sussurrar, não pude deixar de sorrir.
- Deitando na cama para dormir? – sussurrei perto de seu ouvido.
- A noite não foi boa? O que aconteceu com a Maya?
- Sério mesmo que você vai discutir uma hora dessas? – perguntei e a vi virar-se para encarar-me.
- Desculpe por agir daquela forma – Demi falou baixo, sorri e me aproximei mais dela.
- Eu entendo – respondi escutando sua respiração – E foi totalmente fofo.
- Ciúmes não é fofo.
- Então você assume que sentiu ciúmes – sussurrei, mas queria gritar naquela hora, mesmo com as luzes apagadas sabia que qualquer pessoa poderia ver meu sorriso.
- Assumo e com muito orgulho.

13 de mai. de 2015

7.

"She had a world of chances, chances you were burning through..." - World of Chances.
Ano de 2014.
 A casa estava extremamente silenciosa. Havia passado algumas horas desde que voltei do hospital. Agora Dianna e Eddie estavam lá, assim como Selena e Dallas. Miley e Nick haviam saído, assim como eu. Nunca me senti tão sozinha ali dentro, sem a voz de Demi, sentia falta do som de suas risadas e até mesmo dos seus gritos, eu sentia falta dela. Tomei coragem e levantei-me, seguindo em direção as escadas. Eu não tinha animação para nada, nem para sair ou para trabalhar. Queria apenas que Demi saísse daquele hospital logo. 
 Assim que tirei o casaco, joguei em cima da cama e vi que algo havia caído dele, era um cartão, abaixei-me e vi. Era um endereço e logo abaixo havia escrito de quem se tratava, Louis. Sorri em ver que poderia desabafar com alguém, Louis já foi meu amigo e algo me dizia que ele queria voltar a ser novamente. Tomei um banho rápido e vesti a primeira roupa que vi, peguei uma bolsa e as chaves do carro. 
 Enquanto dirigia até o tal endereço, mal conseguia respirar, nesses últimos dias ia do hospital para casa e de casa para o hospital, estava contente em finalmente sair daquela rotina. Estacionei o carro em frente a um apartamento que há muito tempo não via uma reforma, olhei pela redondeza e todos pareciam do mesmo jeito, respirei fundo e subi as escadas, toquei o interfone e demorou alguns minutos até finalmente atender.
- Pois não – ouvi a voz com um pouco de dificuldade.
- O Louis se encontra? – perguntei.
- Que Louis? – a voz voltou a perguntar.
- Louis... – tentei lembrar do sobrenome – Louis Tomlinson.
- E quem deseja falar com ele? 
- (SeuNome) Forman – respondi.
- (SeuNome)! Meu Deus! É você, pode entrar – era a mesma voz e parecia animada – Apartamento quatro. 
 Abri a porta e senti um cheiro de mofo penetrar em minhas narinas, o lugar estava deserto, havia algumas portas e logo a frente havia uma enorme escada. Respirei fundo e comecei a subir as escadas, logo cheguei ao andar de cima, olhei as portas e vi um quarto enorme e prata. Andei até lá e rapidamente bati na porta, logo ouvi o som de trancas e rapidamente vi um Louis sem camisa atender a porta.
- Você veio – ele disse sorrindo – Entra. 
 O apartamento era bem arrumado, um balcão separava a sala da cozinha, havia um sofá bege, uma mesinha de centro onde havia varias revistas, uma televisão e uma porta que deduzi ser o quarto de Louis. Sorri em lembrar do apartamento que morava quando vim para New York.
- Desculpe a bagunça – ele disse enquanto sentava-me no sofá – Sei que você já entrou em casas melhores...
- É perfeito, Louis – disse sorrindo, ele deu um sorriso tímido. – Me faz lembrar do meu antigo apartamento.
- Quer beber alguma coisa? Café? Chá? Cerveja? – ele perguntou.
- Uma cerveja – respondi e o vi ficar surpreso, porém logo assentiu e seguiu em direção a cozinha. 
- Então, como está? – pude ouvi-lo da cozinha.
- Do mesmo jeito desde a ultima vez que nos encontramos – respondi com um suspiro, logo Louis voltou trazendo duas cervejas e sentando-se ao meu lado.
- Eu sinto muito pelo o que aconteceu com sua esposa – ele disse abrindo a garrafa e bebendo um pouco – Andei pesquisando sobre você.
- Obrigada – respondi fazendo o mesmo com minha cerveja.
- Como ela está? – Louis perguntou.
- Com quarenta por cento de chances de sobreviver – respondi e ficamos em silencio, um silencio agradável. 
- Suponho que queira conversar – ele disse depois de algum tempo, tomei outro gole e assenti. – Sou todos ouvidos. 
 Contei tudo a ele. Contei sobre o acidente, sobre o motivo do acidente, também contei sobre minha vida com Demi. Sem deixar nada escapar e quanto mais eu contava, repassava a historia em minha cabeça e pensava em como a nossa historia se desfez tão rapidamente. Éramos amigas, sempre fomos e logo depois nos tornamos namoradas, amantes. Porém quando pensamos em oficializar, nosso relacionamento caiu. Os dois primeiros anos eram perfeitos, mas logo veio minhas horas extras no escritório, ajudando meu pai a administrar os hotéis pelo país. Acabava chegando tarde em casa e Demi pensando que eu estava traindo-a, até finalmente trair verdadeiramente. 
- Nossa! – Louis disse por fim.
- Você me odeia agora, não é? Como os outros – disse encarando-o, Louis mordeu o lábio e balançou a cabeça negativamente.
- Não odeio você, (SeuNome) – ele disse – Mas também não posso dizer que o que fez com Demi foi certo.
- Eu sei disso, Louis – disse assentindo – Eu fui uma péssima parceira para ela, eu...
- Mas você não era assim, certo? – ele perguntou – Você já a amou?
- Muito – respondi – Mais que minha própria vida.
- E você ainda a ama?
- Claro que sim, Louis.
- Desse jeito? Mais que sua própria vida? – Louis perguntou, mordi o lábio, eu nunca deixei de amar Demi, mesmo com todas brigas... 
- Sinceramente? Eu não sei responder – disse e Louis assentiu.
- Eu não sou muito bom de relacionamentos, estou com a mesma pessoa há anos, mesmo assim vou lhe da um conselho – ele disse – Não sei muito bem a historia completa de vocês duas, porém pelo o que você me contou, vi que não só seu casamento, mas também a amizade que vocês tinham se desgastou com o tempo.
- E você acha que meu relacionamento com ela pode voltar como era antes?
- Talvez – ele disse – Mas só depende que você queira isso, e você quer (SeuNome)? Você quer voltar a ter um verdadeiro relacionamento com Demi?

6.

"When your lips are on my lips, then our hearts beat as one..." - Give Your Heart a Break.
Ano de 2008 – 2/2
 O seu olhar era de espanto e ódio, ele não havia me encontrado, o que era uma coisa boa.
- Vamos dá o fora daqui – sussurrei e nem esperei sua resposta, apenas peguei em sua mão e corri em direção a saída, sem olhar para trás, saímos pela porta dos fundos e corremos até meu carro.
- Você tá louca?! Deixar aquele pessoal lá com seu pai?! – Demi disse enquanto procurava as chaves do carro pelo mesmo – (SeuNome), eu estou falando com você!
- Não tenho tempo agora – disse achando a chave no porta luvas – Isso! 
- Você se drogou, só pode – ela disse balançando a cabeça negativamente.
- Iremos conversar, só que não agora – disse ligando o carro e saindo dali.
- Calma, garota! Você vai nos matar! – ela pedia, porém era tanta adrenalina correndo em minhas veias que eu mal a ouvia, respirei fundo e diminui a velocidade – Seu pai vai te matar.
- Eu sei disso – respondi e comecei a sorrir, logo Demi também estava sorrindo – Ele deve esta expulsando os nossos convidados aos tapas.
- Saiam daqui crianças malditas! – Demi disse imitando sua voz.
- Saiam daqui, mas não pisem no meu lindo carpete – disse sorrindo. Ficamos fazendo esse “jogo” até finalmente pararmos no monte onde estávamos no começo do dia. 
- Você nunca mais irá pisar na sua casa novamente – Demi disse saindo do carro.
- Nunca mais irei pisar aqui – respondi sentando-me no capô do carro, logo Demi fez o mesmo. Ficamos em silencio por alguns minutos, tentando se recompor do que tinha acabado de acontecer.
- Mas uma coisa eu o agradeço – Demi disse depois de um tempo – Ele impediu que você ficasse com Natalie. A Natalie, (SeuNome), serio mesmo?
- Qual o problema? Eu fui a fim dela, lembra? E você sempre dizia que eu deveria falar com ela.
- Naquele tempo, hoje em dia ela é uma vadia – Demi disse – Ela não é mulher para você.
- E quem é mulher para mim, Demi? – perguntei encarando-a, Demi engoliu o seco e desviou o olhar.
- E além disso, o que você vê nela? – Demi perguntou.
- O que você vê no Alex? – rebati.
- Estamos falando da Natalie, não do Alex – ela respondeu olhando-me.
- Certo, chorona – disse sorrindo e logo Demi me deu um tapa no braço – Mas respondendo sua pergunta, ela é bem gostosa.
- Gostosa? Ela é uma vareta! – Demi disse, fazendo com que eu sorrisse.
- Quer saber de uma coisa? Você esta com ciúmes – disse e a vi arquear as sobrancelhas.
- Ciúmes? De você? Vai sonhando – ela disse olhando para frente, mordi o lábio e aproximei-me do seu ouvido.
- Admita, Demetria – sussurrei – Você morre de ciúmes de mim.
- Vai... – ela disse virando-se, quando percebi já estava centímetros de seu rosto, não sabia se encarava seus olhos ou seus lábios. Demi para mim era uma irmã, sempre foi, mas depois desse ano que passamos sem nos ver, ela tinha mudado. Eu não a via como uma irmã, eu a via com uma mulher. 
- Aposto que o meu beijo é melhor que o dela – Demi sussurrou.
- Eu aposto que não, afinal nunca experimentei – respondi e apenas senti seus lábios colidirem com os meus. Eu nunca havia pensando em beijar Demi, sinceramente. Nem quando estava começando a me descobrir, eu nunca pensei nela desse jeito. Mas hoje, ali, com nossas línguas tocando-se suavemente, como se fosse feitas uma para a outra, eu pensei nela desse jeito. Por impulso, peguei em sua cintura e a apertei contra mim, Demi passou uma perna por um lado de minha cintura, ficando sentada em meu colo. Seus braços estavam em meus cabelos, puxando-o fazendo-me dá gemidos, enquanto minhas mãos subiam e desciam pela lateral da sua cintura. Então aquilo começou a ficar intenso, estava começando a ficar excitada e com certeza Demi também, foi quando separamos o beijo pela falta de ar. Demi rapidamente saiu do meu colo, voltando a sentar-se ao meu lado. Ficamos em silencio por alguns minutos, tanto eu quanto Demi tentávamos nos recompor do que havia acontecido.
- Acho que bebemos demais – ela sussurrou com a voz falha.
- Acho que nunca estive tão sóbria em toda minha vida – disse olhando para frente.  
***

  Naquele dia, quase que dormir no carro. Não poderia voltar para casa, meu pai com certeza estaria me esperando e não poderia dormir na casa, principalmente no quarto de Demi depois do que tinha acontecido. Enquanto dirigia até a casa de Demi, o clima ficou tenso entre nós duas, o beijo tinha mexido com ambas. 
 Não consegui dormir, afinal estava desconfortável no carro e ainda não parava de pensar no beijo, de como me senti ao ter os lábios de Demi, o corpo dela... Estava tão confusa que nem vi quando alguém se aproximou do carro e deu algumas batidinhas na janela.
- Se quiser roubar alguma coisa, fique sabendo que estou armada – disse olhando para a sobra do vidro.
- Não, você não esta – reconheci a voz, ajeitei-me e baixei o vidro.
- Que susto garota, quer me matar?
- Matar você seria uma pena – Demi respondeu sorrindo.
- O que faz aqui? – perguntei abrindo a porta do banco de trás, vendo-a entrar. 
- Não consigo dormir – ela disse assim que se sentou ao meu lado, mantendo certa distancia. – Minha consciência esta pesando, tenho uma cama confortável lá em cima, enquanto você tem esse banco duro.
- Que prestativa – disse debochando.
- Você é muito difícil de agradar, pelo amor de Deus – ela disse – Quer dormir comigo lá em cima, sim ou não?
- Rápida você, não?
- Palhaça você, não? – ela rebateu, balancei a cabeça negativamente e assenti.
- É um banco duro mesmo, prefiro sua caminha quentinha – disse e a vi sorrir – Mas nada de se aproveitar de mim.
- Digo o mesmo – ela respondeu e seguimos até seu quarto, estava fazendo piadinhas, mas aquele beijo ainda não saia da minha cabeça, Demi deitou-se primeiro e pude ver o shortinho que ela usava, mordi o lábio tirando os pensamentos impróprios de minha mente. 
- Vai ficar ai mesmo? – ela disse olhando-me, assenti e deitei-me ao seu lado, encolhendo-me de um lado da cama, Demi olhou-me com as sobrancelhas arqueadas. – O que esta acontecendo com você? Quando dormíamos juntas, era eu quem me encolhia, porque você sempre tomava a metade da cama. 
 Ajeitei-me na cama e virei-me, estava de frente para Demi, conseguia ouvir sua respiração.
- Você vai embora amanhã? – ela perguntou e senti seus pés se entrelaçarem nos meus, como fazíamos antigamente. 
- Tenho que ir – respondi olhando-a. 
- Não quero que você vá – ela sussurrou baixinho.
- Não quero te deixar aqui – disse e senti que ela se aproximava de mim – Mas você pode vim comigo.
- Não posso.
- Porque não? Sei que medicina não é o que você quer, Demi – sussurrei – Meus companheiros de quarto iram se mudar, não quero ficar naquele apartamento sozinha.
- (SeuNome), você sabe que eu não posso, meus pais... – ela começou, porém eu logo a interrompi.
- Seus pais não deixariam, eu sei, você já me disse – respondi – Mas você tem 21 agora, atingiu a maioridade.
- Não vamos falar sobre isso agora, por favor – ela pediu, suspirei e ficamos em silencio. – Foi perfeita.
- A festa? Foi um desastre, isso sim, meu pai apareceu e... – comecei, mas Demi interrompeu.
- Não estou falando da festa – ela respondeu baixinho, como se estivesse contado um segredo e aquele quarto estivesse lotado de pessoas, abri um enorme sorriso e senti seus lábios em contado com os meus, porém não passou disso.
- Boa noite – ela sussurrou e por fim, senti virar-se, aproximei-me do seu corpo e passei meus braços por sua cintura. 
- Boa noite. – e mal sabia eu que dormiria assim para sempre, pelo menos antes de tudo começar a desmoronar.

8 de dez. de 2014

5.


2008. 
 Ano de 2008. Eu e Demi já tínhamos nos formado. Meu pai era um famoso dono de hotéis por quase todo Estados Unidos. E eu, bem, eu estava na Big Apple, ou seja, New York City. Eu havia passado o ano de 2007 apenas vivendo com os lucros dos meus quadros, eu e mais dois amigos. Meu pai sabia e claro, ele não apoiava, mesmo assim não falava nada, afinal, ele ligava mais para seus hotéis do que sua unica filha. Eu e Demi nos falávamos apenas por internet e telefone, já que ela estava em Albuquerque cursando medicina e eu, em New York. Nós duas sempre tivemos essa conexão e ficou mais forte depois da morte da minha mãe. Demi era minha unica família.
 Faltavam apenas alguns dias para o seu aniversario de 21 anos e não poderia faltar, então peguei a mini van do meu parceiro de apartamento - Charlie - e dirigi até Albuquerque. Eu queria muito vê-la, então fui direto para a faculdade e a esperei até suas aulas terminarem.
 Demetria estava diferente, seus cabelos castanhos, agora estavam loiros, tinha ganhado mais curvas e não poderia negar que ela estava bem gostosa. Ajeitei o cabelo pelo espelho do retrovisor e sai do carro, ficando encostada no capo do próprio. Lembro-me exatamente como ela ficou assim que me viu. Aquela expressão de confusão e surpresa, aquele sorriso que dizia ‘eu não acredito’ e a forma que ela correu assim que me viu.
- Feliz aniversario! – respondi sorrindo e abraçando-a. Nunca irei esquecer da sensação de te-la abraçado depois de um ano. O cheiro dos seus cabelos, os braços em volta de minha cintura. – Seu presente de aniversario acabou de chegar.
- O que você esta fazendo aqui? – Demi perguntou finalmente separando o abraço, depois de minutos.
- Irei responder – disse – Só que voce precisa entrar no carro. 
- Isso por acaso é um seqüestro? – ela perguntou brincalhona.
- Sim é, e não fale nada por que isso pode ser usado contra você no tribunal – disse e a vi sorrir, dei a volta no carro e abrindo porta para ela. Rapidamente entrei no carro, dando partida em seguida.
- Então, o que esta fazendo aqui? E de quem é esse carro? Você veio ficar de vez? – ela perguntou após dar partida.
- Uma pergunta de cada vez – disse dando uma rápida olhada para ela.
- Certo, o que você esta fazendo aqui?
- Hoje é o aniversario de uma amiga minha – disse – Então decidi vim, afinal se eu não viesse ela acabaria comigo.
- E acabaria mesmo – ela respondeu sorrindo. – Mas para onde você ta me levando?
- Surpresa – respondi e percebi que ela encarava-me – Então não vai perguntar mais?
- De quem é esse carro? – ela perguntou analisando o carro.
- Charlie, você sabe, meu parceiro de apartamento – respondi encarando a estrada.
- Falando em parceiros de apartamento... – Demi começou e eu já sabia do que se tratava – Você nunca mais viu a Maya?
- Nem fala nesse nome, por favor – pedi e a vi sorrir. – Mas respondendo sua pergunta, não, nunca mais a vi, Maya sumiu do mundo.
 Maya era uma garota que eu havia me relacionado há alguns meses, nos conhecemos no pub que costumava ir em Manhattam e ficamos durantes alguns meses, porém em um belo dia, acordei e Maya tinha ido embora, simplesmente, sumiu. Você ira saber mais sobre essa historia, só que não agora. 
- Para onde você esta me levando? – Demi voltou a perguntar.
- Já disse, surpresa – disse avistando o supermercado, segui para o estacionamento e parando o carro, desafivelei o cinto e abri a porta do mesmo. – Volto em minutos, não saia.
 Demi tinha falado algo, porém eu já estava longe, adentrei no supermercado pegando um carrinho. Comprei uma caixa de cerveja que continham seis, salgadinhos, algumas latinhas de refrigerantes e mais alguns “petiscos”. Paguei e voltei para o carro.
- O que é tudo isso? – Demi perguntou enquanto colocava as compras no banco de trás.
- Uma parte de surpresa – respondi já voltando para o banco e dirigindo. Ficamos conversando sobre coisas aleatórias, até chegarmos onde eu queria. Era um monte onde dava para ver os prédios de Albuquerque. Estacionei o carro e olhei para Demi.
- Eu não acredito – ela disse sorridente, peguei as sacolas no banco de trás, colocando em cima do capô.
- Então... – Demi disse sentando-se no capô ao meu lado – Você veio só para meu aniversario ou...
- Infelizmente – disse pegando uma cerveja, Demi assentiu tristemente e pegou outra – Não quero ver você triste, vamos falar de outra coisa.
- Tipo? – ela perguntou dando um gole em sua cerveja.
- Sua festa de aniversario! – disse alto, Demi balançou a cabeça negativamente e sorriu.
- Estava pensando e sairmos para um pub que abriu aqui perto – ela respondeu.
- É uma ótima ideia, porém... – disse – É seu aniversario de 21 anos, você pode fazer tudo que quiser e levar a culpa, e não é todo dia que fazemos 21 anos, então, eu (SeuNome) Forman, sua melhor amiga, a pessoa que você mais ama nesse mundo, fará sua festa.
- (SeuNome), acho que isso não é uma boa ideia – Demi falou.
- Por quê? Você sabe que eu sou ótima em festas.
- Onde seria essa festa, (SeuNome)? No seu carro? – ela perguntou sorrindo.
- Demetria, você não entende nada, não é? – disse encarando-a – Eu moro em NYC, preciso falar mais?
- Certo, eu deixo você fazer minha festa – ela disse e eu rapidamente a abracei – Só que onde será?
- Você confia na sua melhor amiga? Se não, vai ter que confiar.
***
A festa seria na minha casa, eu havia me mudado para NY, porém meu pai continuava em Albuquerque , morando na mesma casa. Quase morando, afinal ele vivia trabalhando, a casa vivia sozinha, apenas com Dolores que era nossa empregada.
- Mãe, pai, cheguei! – Demi gritou abrindo a porta, a casa de Demi continuava a mesma e convenhamos que a minha também. – E adivinha quem eu trouxe?
- Um namorado? – reconheci a voz de Dallas. Ah Dallas, era uma das pessoas mais próximas de mim alem de Demi. – Eu não acredito! (SeuNome)!
- Dallas! – disse abraçando-a forte erguendo-a no ar, quem diria que hoje em dia nem nos cumprimentamos educadamente.
- Nem vou perguntar por que você esta aqui – ela disse separando o abraço.
- E nem precisa – Demi respondeu revirando os olhos, Dallas lançou um olhar para mim e sussurrou.
- O bom e velho ciúmes – sorri e segui abraçada a Dallas para a cozinha, onde Dianna e Eddie encontravam-se.
- (SeuNome)! – Dianna disse levantando-se da cadeira e indo em minha direção, pois é, acredite se quiser, mas eu e os familiares de Demi tínhamos uma convivência muito amigável.
- O que você faz aqui, menina? – Eddie perguntou abraçando-me também.
- Você sabe, aniversario daquela baixinha, não posso faltar – disse apontando para Demi e a vi revirar os olhos.
- Como anda a vida? – Dianna perguntou. – Pintando muito?
- O suficiente para ganhar alguma coisa – disse e ficamos em silencio. Dianna e Eddie nunca gostaram da minha idéia de ir para NY e ser pintora, não que eles falassem ou me condenassem por isso, apenas não gostavam, mesmo assim respeitavam.
- Estamos lá em cima – Demi os avisou e me puxou pela a escada. O quarto de Demi continuava o mesmo, porém haviam uma estante enorme cheia de livros e ainda tinha alguns por cima da cômoda, escrivaninha, etc.
- Você disse que iria ser na sua casa, mas como? Seu pai vive lá, esqueceu? E de jeito nenhum ele vai deixar você dá uma festa.
- Só que você esqueceu de um pequeno, porém significativo detalhe – disse sentando-me na cama – Ele passa o dia todo e talvez à noite trabalhando.
- Certo, mas e o... – Demi começou, sentando-se ao meu lado na cama, passei o braço por cima dos seus ombros e disse.
- Deixa comigo, okay? Você terá a melhor festa de 21 anos do mundo.
***
  Abri com dificuldade a porta dos fundos, colocando as sacolas em cima do balcão.
- (SeuNome)? – reconheci a voz de Dolores, virei-me e abri um sorriso.
- Dolores! – disse seguindo até ela e abraçando-a. – Quanto tempo!
- Meu Deus, o que você faz aqui? – ela perguntou separando o abraço.
- É o aniversario da Demi – respondi tirando as coisas da sacola.
- E que sacolas são essas?
- Irei dá uma festa hoje – respondi e a encarei.
- Como? – Dolores perguntou – Você ta doida? Seu pai sabe disso?
- Ainda não – disse indo até ela – Não esquenta, Dolores, meu pai nem vai saber, afinal ele vive trabalhando, certo?
- Isso não vai da certo.
- Confie em mim, okay? – disse encarando-a – Se quiser, pode ir embora cedo ou você pode vim à festa.
- E correr o risco de seu pai me ver aqui no meio de adolescentes? Negativo – ela disse rindo, ri e segui em direção a sala. A casa continuava sempre igual, sem nenhuma poeira e nem sinal de que alguém morava ali, balancei a cabeça negativamente e subi as escadas. Meu quarto também parecia igual, claro, sem os pôsteres, sem minhas fotos ou meus quadros. Apenas um quarto normal, limpo e novamente sem sinal de que alguém dormia ali. Peguei a lista que Demi havia me dado com nomes de pessoas que eram amigas delas, além de ter pessoas que eu mal conhecia, havia poucas pessoas. Queria uma festa histórica, afinal minha melhor amiga estaria fazendo 21 anos, então alem de ligar para as pessoas da lista, pedi para que elas convidassem outras pessoas e essas outras pessoas convidassem outras, e por ai vai. O dia já estava acabando e a festa de Demi tinha vários convidados.
 A festa começaria as nove e eu já tinha tudo preparado, as bebidas na geladeira, salgadinhos, doces espalhados pela cozinha.
- Pensei que você não viria – disse bebendo um gole da cerveja.
- Já começou bebendo, hein? – ela disse seguindo em direção a cozinha – Onde você arranja dinheiro para comprar tanta bebida?
- Parece que você esquece que meu pai tem bastante grana – disse sentando-me no balcão – Quero que sua festa seja épica.
- Não sei por que, não tenho problema nenhum ser uma pequena comemoração com meus pais e você – ela disse pegando um salgadinho e comendo.
- Você pensa pequeno, Demetria – disse sorrindo, ela revirou os olhos e sorri.
 Não havia passado nenhum uma hora e o pessoal estava totalmente bêbado, alguns se pegando, outros dançando e tirando a roupa, etc.
- Você não acredita quem esta aqui – Demi disse sorrindo.
- Quem? – perguntei dando um gole em minha cerveja, já havia perdido a conta de quantas eu havia bebido.
- O Alex! – ela disse animadamente, resistir à vontade de revirar os olhos, porém apenas forcei um sorriso. Depois que Demi e Alex saíram pela primeira vez, eles haviam namorado, porém Alex a deixou e foi para Los Angeles.
- Que legal – disse e a vi cruzar os braços. – O que foi?
- Ainda tem um pé atrás com ele, não é?
- Claro que tenho, ele largou você, Demi, ele é um idiota – disse.
- Primeiro, ele não me largou, ela apenas foi em busca do sonho dele, você também não foi para NY em busca do seu sonho? Ele fez o mesmo – ela disse.
- Mas é diferente, eu não abandonei você – disse – Pelo contrario, pedi para você ir comigo, só que você não quis.
- Não vamos brigar na minha festa de aniversario, por favor – ela disse, revirei os olhos e assenti.
- Certo, mas se esse cara dê em cima de você, eu acabo com ele – disse e a vi balançar a cabeça negativamente e sorrir, foi quando vi Alex vindo em nossa direção.
- Seja gentil – Demi sussurrou baixo, ficando ao meu lado. – Oi Alex.
- Demi – ele disse abraçando-a, revirei os olhos e logo ele olhou-me – (SeuNome), meu Deus, você ta diferente.
- Acho que é porque envelheci alguns anos desde a ultima vez que nos vimos – disse forçando um sorriso falso para ele – Como anda as coisas em Las Vegas?
- Na verdade, eu fui para Los Angeles – ele respondeu.
- Ah mesmo, você foi sem falar com a Demi, ia me esquecendo – disse e senti Demi da uma cotovelada em minha costela, Alex desviou o olhar com certeza envergonhado e encarou Demi.
- Ta a fim de dançar, Dem? – ele perguntou sorrindo, revirei os olhos mais uma vez.
- Claro – ela respondeu, Alex pegou em sua mão e a levou. Fiquei observando os dois dançarem, de vez em quando Demi encarava-me e eu fazia sinal de vomitar, ela apenas revirava os olhos e desviava o olhar.
- (SeuNome) Forman? – ouvi atrás de mim e quase engasguei. Era Natalie Harper. A primeira garota que eu havia gostado, Demi sabia da minha paixão por ela e sempre dizia que eu deveria falar com ela, mas naquela época eu era bastante tímida.
- Oi – disse timidamente, Natalie tinha longos cabelos encaracolados, olhos grandes e castanhos, sua pele era morena e havia lábios que, cara, era demais. – Natalie Harper, certo?
- Certo – ela disse sorrindo – Você tem uma bela casa.
- Na verdade, essa não é minha casa – disse – É a do meu pai.
- Então seu pai tem uma bela casa – ela respondeu e eu sorri. Ficamos conversando sobre varias coisas e vi que Natalie era bem legal, divertida e bem gostosa. Até esqueci do mala do Alex com Demi.
- (SeuNome), eu... – Demi chamou-me, porém parou assim que viu Natalie ao meu lado – Podemos conversar?
- Claro – disse xingando-a por ter interrompido a conversa com Natalie, virei-me para ela e disse – Volto daqui a pouco, Nat, não saia da ai.
- Não sairei – ela respondeu piscando, olhei para Demi e ela estava revirando os olhos, então pegou em meu braço e levou-me para longe de Natalie.
- Nunca irei te perdoar por isso – disse, Demi arqueou uma sobrancelha e cruzou os braços.
- Natalie Harper? Serio mesmo?
- Qual é problema? Você sabe que eu era super afim dela no colegial e...
- Essa garota é uma vadia – Demi disse. – Você não pode ficar com ela.
- Certo, não fico com ela – disse e a vi sorri – Mas você tem que dá o fora no Alex.
- O que?! Ta louca?
- Não, isso é um acordo, eu não fico com a Natalie e você não fica com o idiota do Alex.
- Isso não é um acordo.
- É sim – disse – Aceita ou não aceita?
- Eu... – Demi desviou o olhar e logo depois arregalou os olhos – Ferrou.
- O que? – perguntei confusa e logo ela virou-me fazendo com que eu olhasse para a porta, gelei em ver quem entrava, meu pai. – Ferrou totalmente.

27 de nov. de 2014

4.

"Someone to count on, someone who cares beside you wherever you go" - Gift of a Friend.

Assim que abri os olhos por um segundo pensei que tudo aquilo era um sonho, não só o acidente, mas tudo que tinha acontecido em nossas vidas, começando pela primeira traição até hoje. Mas tudo veio à tona quando olhei para o lado e ela não estava lá. Minha melhor amiga não estava lá, minha mulher não estava lá, a pessoa que eu mais amei não estava lá. Respirei fundo e levantei-me da cama, seguindo para o banheiro, tomei um banho rápido, vesti a primeira roupa que vi e desci.
 Antes mesmo de entrar na cozinha meu estomago uivou assim que senti o cheiro das panquecas, havia muito tempo que eu não comia panqueca, era uma das especialidades de Demi, porém ela deixou de fazer.
- Bom dia – disse ao chegar à cozinha, Madison estava na mesa. Ela não moveu um músculo ao ouvir minha voz, apenas continuou comendo. Abri a porta do armário procurando pó para café, porém não tinha nada, apenas revirei os olhos e encarei a garota.
- Seus pais ligaram? – perguntei, Madison apenas balançou a cabeça negativamente – Dallas? Miley? 
- Demi ainda continua em coma se é isso que esta perguntando – ela respondeu sem encarar-me, balancei a cabeça e suspirei.
- Vou tomar café e volto já – disse e sai da cozinha, meu casaco ainda estava no sofá, o peguei junto com a bolsa e sai de lá.
...

- O que a senhorita vai querer? – a garçonete perguntou.
- Só café – respondi sem olhar-la e logo a mesma saiu. Peguei o celular e varias ligações não atendidas, algumas de pessoas que eu nunca mais tinha falado, eu queria retornar as ligações, eu precisava de um amigo agora, mas eu não tinha amigos, todos eles se foram, eu os afastei, balancei a cabeça negativamente impedindo com que as lagrimas saíssem.
- Quem diria que a encontraria aqui – ouvi alguém dizer, olhei para cima.
- Desculpe?
- Você não esta me reconhecendo? Pensei que significasse algo pra você – o homem disse, já estava incomodada com o jeito que ele olhava-me. – Como você não lembra do seu melhor amigo.
- Eu não tenho... – disse e então arregalei os olhos – Louis?
- O mesmo – ele respondeu e pela primeira vez depois dos últimos acontecimentos, eu sorri.
- Meu Deus, o que você esta fazendo aqui? – disse levantando-me e o abraçando – Sente-se.
- Dando um tempo na cidade – ele disse sentando-se – Como você está?
- Vamos dizer que não muito bem – disse e vi sua sobrancelha levantar-se.
- Por quê?
- É complicado – disse balançando a cabeça negativamente – Mas me conte sobre você.
- Eu me formei em Veterinária, não era uma coisa que eu queria, foi mais pelo o meu pai – ele disse – Você lembra que quando éramos crianças eu vivia falando que viajaria pelo o mundo? Bem, eu estou fazendo isso agora.
- Isso é ótimo, Louis, pelo menos alguém realizou seus sonhos.
- E quanto a você? Você não parece à pintora que tanto queria ser – ele disse olhando-me atentamente.
- E eu não sou – meu tom era melancólico – Ajudo meu pai na administração dos hotéis.
- Serio? – ele disse surpreso – Por quê?
- As coisas não deram certo – disse e então senti meu celular vibrar, nem olhei para a tela do telefone – Alô? Aconteceu alguma coisa com a Demi?
- Não aconteceu nada, só liguei para avisá-la que estou indo para o apartamento – Era voz de Dianna – Quero que alguém fique com ela, você está em casa ou...?
- Estou em uma lanchonete aqui perto, mas já estou indo – disse e ela nem mesmo se despediu, apenas desligou o telefone, olhei para Louis e percebi que o café já estava na mesa. – Desculpe, tenho que ir.
- Tudo bem – ele disse sorrindo de lado – Você deve esta ocupada, estou hospedado perto daqui, venha me visitar quando puder, certo?
- Com toda certeza – disse – Foi muito bom vê-lo, Louis, muito mesmo.
- Também foi bom vê-la, (SeuNome) – ele disse, levantei-me e o abracei – Espero que fique bem.
- Vai ser bem difícil – tomei um único gole do café e coloquei uma nota em cima da mesa.
...

  Dallas estava lendo uma revista de fofoca enquanto Miley parecia falar com alguém ao telefone. Havia se passado três horas que eu estava ali, nenhuma informação, nenhum sinal do médico. Estava olhando uma revista, na verdade só estava passando as folhas, não tinha nada de interessante.
 Já estava impaciente, aquele lugar estava me dando nos nervos, eu queria saber alguma noticia de Demi, algo que me acalmasse, então me levantei e seguindo em direção aos banheiros. Não que fosse, apenas era para despistar Dallas e Miley. Tinha falado com o médico de Demi e sabia onde ficava sua sala, então segui até lá. Eu queria vê-la, queria saber o seu estado, queria saber como ela tinha ficado depois do acidente...
 Parei em frente à porta branca, olhei para os lados e não vi ninguém, respirei fundo, porém demorou alguns minutos até eu finalmente entrar. Assim que abri a porta, o som dos aparelhos ligados a Demi encheram meus ouvidos, fechei a porta com cuidado e não levantei a cabeça até finalmente chegar a maca. Prendi a respiração assim que a vi. Havia grandes hematomas em seus braços, seu rosto estava com alguns cortes e sua cabeça estava enfaixada. Deixei um soluço escapar e senti algo pesado sobre meus ombros. Culpa. Demetria estava ali por minha causa e agora eu sabia. Se eu não tivesse sido tão cafajeste com ela, tão idiota, cumprido a promessa que fizemos, ela não estaria aqui, peguei em sua mão pálida e fria, sentindo as lagrimas queimarem em meus olhos.
- Eu... Eu sinto muito – sussurrei deixando os soluços saírem – Sei que não irá adiantar nada... Por que... Por que... Porque eu estraguei tudo, Demi... Acabei com tudo que construímos, por besteira... Mas eu sei, sei que você irá sair dessa... Você sempre foi a mais forte de nos duas... Eu acredito em você, Demetria... Você vai sair dessa.

"Pois é aqui estou eu mais uma vez, finalmente as ferias vieram ~thanksgod~ e agora vou começar a ser mais presente, como terminei o meu outro imagine - New Beginning - vou me dedicar mais a esse, postarei o mais breve possível, acho que é só isso mesmo, bem próximo capitulo as coisas irão realmente começar e vejo vocês em breve, o/
ps: Alguém aqui assiste Faking It? Se alguém assisti, vamos chorar juntas e esperar ate 2015 pra ter episodio novo"


21 de out. de 2014

3.

"I need a light to take me home" - Nightingale.

 2002.
 Eu e Demi tínhamos 16 e 15 respectivamente. Era dia de prova, a ultima para as férias de verão. Demi não havia estudado porque ela tinha saído com Alex, o crush dela naquela época.
- (SeuNome), ou melhor, salvação da minha vida – ela disse andando em minha direção.
- Já podemos ver que a senhorita Lovato não estudou.
- Não, mas você sabe o motivo – ela disse dando um sorrisinho malicioso.
- E falando em “motivo” – disse fazendo aspas e começando a andar – Como foi?
- Ele fala de mais e age de menos – Demi disse – Mas quando ele age... Uau.
- Fico feliz por você, finalmente Demetria Lovato deixou de ser bv – disse e ela corou.
- Ei! Eu não era bv antes do Alex, okay? – ela disse defensiva.
- Okay, nova pegadora da cidade.
 Assim que chegamos à escola que não era tão longe dali, ficamos estudando juntas, até o sinal tocar e irmos para sala.
- Olha eu não estou conseguindo estudar porque o Alex fala de mais e age de menos fica nos encarando em cinco e cinco minutos – disse sem tirar a atenção do livro.
- Você acha que eu deva ir falar com ele? – Demi perguntou, a encarei e vi que ela o encarava.
- Sei lá, não fui eu quem ele tirou o bv – disse sorrindo, Demi revirou os olhos – Vai lá, Demi, sei que você quer ir.
- Não, li em uma revista que para um cara ficar caidinho por você, você tem que se fazer de difícil – ela disse convicta, levantou-se e encarou-me – Vamos para sala, temos uma prova agora.
...

 Eu e Demi sempre sentávamos perto uma da outra, ela sentava na penúltima carteira e eu logo atrás dela, na ultima.
- Alex me chamou para outro encontro hoje, o segundo, acho que isso vai virar namoro – ela sussurrou virando-se para encarar-me.
- Legal  – sussurrei batendo a caneta da carteira.
- Você ta bem, (SeuNome)? – Demi perguntou virando-se para olhar-me.
- Estou sim, só estou nervosa – respondi, mas na verdade eu não estava bem, eu meio que estava adivinhando o que estava para acontecer. A porta abriu e o professor Jones entrou seguindo pelo o Diretor Harper.
- Srta. (SeuNome) Forman? – o Diretor anunciou, olhei para Demi que parecia mais confusa que eu.
- Sim? – disse levantando-me, ele olhou-me, seu olhar de compaixão, as sobrancelhas baixas como se estivesse dizendo ‘eu sinto muito’.
- Você pode me acompanhar? – ele disse, assenti e olhei para Demi, andei em direção a porta seguida por ele. O Diretor Harper pediu para que eu sentasse em um banco que ficava perto da sala de aula, logo fiz o que ele havia pedido e o vi sentar-se ao meu lado.
- Houve um acidente... – você já deve imaginar o que ele disse. Houve um acidente... Um homem dormiu ao volante... Perdeu o controle... Sua mãe morreu na hora... Eu sinto muito.
 Lembro-me que na hora eu não esbocei nenhuma reação, só fiquei encarando o quadro de recados pregado na parede a minha frente.
- Você quer ir embora? – o Diretor perguntou, minha garganta estava seca demais para falar alguma coisa, então apenas assenti com a cabeça. – Você que eu a acompanhe até em casa?
- N... Não – disse e levantei.
- Srta. Forman... – Ele começou, porem eu já estava andando em direção a saída da escola.
...

 O homem havia dormido ao volante, mamãe estava saindo do estacionamento de uma loja, o impacto foi bem ao lado do motorista, ela morreu na hora, não deu nem tempo de leva-la ao hospital, foi instantâneo.  
- (SeuNome)? – era Demi, eu estava sentada na cama encarando a janela. – Eu vim assim que soube.
- Ela falou que iríamos viajar para Florida semana que vem – disse sem olhar para Demi – Ainda vamos não é?
- (SeuNome)... – Demi começou, outra coisa engraçada sobre mim, eu nunca consigo chorar baixinho como as outras pessoas, quando eu choro tenho que fazer algo, quebrar algo. Mas não tinha nada para quebrar, então eu apenas abracei Demi e comecei a chorar.
 Demi me levou para sua casa e eu passei o dia todo lá, minha casa estava cheia de pessoas que mal conheciam minha mãe, que nem falavam com ela, querendo consolar meu pai, ou melhor, o dinheiro dele.
- Você vai ficar bem, eu sei disso – Demi disse oferecendo-me um copo de suco. – Sabe por quê? Porque eu vou esta aqui ao seu lado, até tudo isso passar.
- E o seu encontro? – perguntei olhando-a.
- Alex vai entender – ela disse dando de ombros – Amigas antes de tudo, lembra?
- Você não tem que fazer isso.
- Sabemos onde essa conversa vai parar, (SeuNome) – ela disse pegando em meu rosto.
- Obrigada – disse forçando um sorriso, ela apenas balançou a cabeça e sentou-se ao meu lado, e ficamos lá, assistindo uma coisa qualquer na TV enquanto ela passava a mão em meus cabelos.

"Eu sinto muito pela demora, minha rotina anda uma loucura ultimamente, mas finalmente achei um tempinho para postar, sei que esse capitulo foi meio bleh, mas prometo que os próximos flashbacks serão melhores, vamos ver uma (s/n) e Demi mais jovens na faculdade e tal, enfim, espero que tenham gostado e ate breve"

15 de out. de 2014

2.

"Now I know who you are, you got nothin' on me, I see I should've known it from the start" - U Got Nothing' On Me.

2014.
 Foi dirigindo que me permiti chorar, desde que tinha recebido o telefonema até agora eu não tinha chorado. Eu sempre fui boa em esconder sentimentos, mas ali, sozinha eu deixei que as lágrimas saíssem. Não só a minha esposa que estava em coma, como a minha melhor amiga estava. E a culpa era minha, a culpa do acidente era minha, Demi estava naquele maldito hospital com apenas quarenta por cento de chances de sobreviver por minha causa.
 Eram duas da manhã, Eddie conseguiu me convencer que era melhor eu ir dormir um pouco, já que eu estava ali desde que Demi foi internada. Assim que entrei naquela enorme mansão, me perguntei por que morávamos ali, eu e Demi vivíamos tão felizes naquele pequeno apartamento que tínhamos no Brooklyn. Joguei a bolsa e o casaco no sofá, então reparei nas malas que estavam bem perto da porta, com certeza eram dos pais de Demi, subi para o quarto, a porta do guarda-roupa ainda estava aberta, tudo da mesma maneira que eu deixei, que ela deixou. Fui imediatamente para o banheiro e abri o chuveiro, deixando a água cair, não me importava se estava com roupa, fiquei debaixo do chuveiro por bastante tempo. Joguei a roupa no cesto de roupa suja e tratei de vestir uma limpa e seca, eu iria comer e voltar para o hospital, não estava com sono. Desci e fui para cozinha, coloquei um resto de lasanha do dia anterior no microondas e peguei uma latinha de refrigerante, foi quando ouvi alguém abrir a porta e por um segundo pensei que fosse Demi adentrando naquela cobertura com um sorriso no rosto, iríamos comer o resto da lasanha e conversar sobre nosso dia como fazíamos antes do meu trabalho com meu pai, antes das minhas traições, antes das nossas brigas constantes. Mas assim que fui até a sala, vi que eram Dallas, Madison e Miley. Voltei para cozinha, peguei a lasanha e o refrigerante, então voltei para sala.
- Onde fica os quartos? – Dallas perguntou fria.
- Segunda porta a direita – respondi da mesma forma fria que ela perguntou. – Os outros ficam na terceira e quarta porta a esquerda.
 Então as três pegaram as malas e levaram para cima, se eu fosse ficar aqui o dia inteiro não saberia como iria ser a convivência com todos da família de Demi. Escutei o celular tocar, fui logo atendendo sem ver quem ligava, poderia ser Eddie ou Dianna com notícias de Demi.
- Pronto – falei já me preparando para o pior.
- (SeuNome) – Era Lilian, respirei fundo e fui até a cozinha.
- O que você quer, Lilian? – perguntei sem nenhum paciência.
- Soube do acidente com Demetria e sinto muito, espero que ela esteja bem – ela disse e eu não deixei de dá uma risada irônica, ela sente muito? Tá bom.
- Obrigada pela preocupação – respondi querendo encerrar o assunto.
- Você quer que eu vá até ai? Posso te ajudar – ela disse com aquele tom de voz, revirei os  olhos e bufei.
- Não obrigada, eu estou bem – disse – Agora tenho que ir.
 E antes mesmo dela dizer "tchau" eu desliguei, não estava com cabeça para nada, pelo menos não hoje. Voltei para sala e lá estavam Dallas e Miley sussurrando uma para a outra, sentei-me no sofá e liguei a TV.
- Madison está dormindo lá em cima – Dallas disse, apenas assenti sem tirar os olhos da TV.
- Espero que não traga nenhuma de suas amantes para cá, pelo menos não hoje, com Madison dormindo lá em cima e Demi... – Miley quem falou, ela fez uma pausa – Em coma.
- Não se preocupe, já não trago-as para cá, há um lugar específico para elas – tirei a atenção da TV, para vê-la ficar vermelha de raiva e assim Miley se encontrava.
- Pode aproveitar, porque quando Demi acordar, você nunca mais vai vê-la – Miley disse.
- Porque? Você vai prendê-la e obrigá-la a casar com você? – disse com um sorrisinho provocativo, Miley deu alguns passos para frente, Dallas não conseguiu segurá-la a tempo e eu apenas senti seu punho em minha boca, junto com o gosto de ferro. Sim, Miley tinha dando-me um soco e sim, eu mereci. Não por ter provocado-a e sim por ter feito Demi de palhaça todos esses anos.

- Não sei como Demi conseguiu ficar com você todo esse tempo – e assim saiu batendo a porta. Passei os dedos em meus lábios, o lábio inferior estava cortado, olhei para Dallas, mas ela não estava mais lá. Andei até a cozinha, peguei um pano, pressionando contra minha boca. Foi então que começou, primeiro com um grito, logo depois com alguns pratos em cima da pia espatifando-se no chão. Os soluços juntaram-se com as coisas que caíam no chão e se desfaziam em pedaços. E ali com o chão cheio de pedaços de porcelanas, eu chorei como nunca havia chorado na vida.

"Mais um capitulo, bem, como disse anteriormente vimos um pouco - pouco mesmo - da (s/n), claro que iremos vê-la de duas maneiras. Quero saber o que vocês acharam dessa (s/n) desse capitulo, enfim, próximo capitulo vamos ter um flashback muito triste na vida da (s/n), espero que tenham gostado e ate breve"